
28.10.09
Represa Billings em 16 de outubro, 2009...

Não existe nenhuma mulher-espírito nas árvores.
Não existe nenhum deus abaixo da terra.
Onde estaria um deus que nos abate com o veneno de uma abelha esmagada?
Que nos coloca neste lugar e depois inunda as plantações até não haver o bastante para nos alimentar?
Derrama cinzas dos céus e cega nosso gado?
Se esses são os deuses, eles têm um passatempo esquisito.
Não são deuses que nos recebem,
além dos túmulos,
apenas
vermes."
[apanhado de frases de "A Voz do Fogo", por Alan "O cara" Moore]
Agradecimento especial à "Gisely - Gijah"...
"Presente, Agora e Sempre..." [MTST]
Os gritos foram lançados ao ar, o frio da garoa se dissipou, deu lugarao suor de trabalahadores.A insensibilidade terá de retroceder.
Aos heróis da vida real, não há muito que possamos fazer daquí,mas seguem nossas sinceras homenagens...
18.10.09
Eles brincam...!
O LOUCO ( Khalil Gibran )
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,despertei de um sono profundo e notei que todas as minhasmáscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu haviaconfeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelasruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa,com medo de mim.E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado notelhado de uma casa gritou: “É um louco!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,pois aquele que nos compreende, escraviza alguma coisa em nós.
Gibran Khalil Gibran
O Público Recebe ( o que o público merece...)
Mumia Abu-Jamal
No Artigo “I spend my days preparing for life, not for death” para o “The Guardian”.
Em 25 de Outubro de 2007
Nessa altura do campeonato creio que nada que se diga a respeito de televisão seja original. Se relevante ou não, é um outro ponto e muito relativo. Não penso que este aqui seja exatamente relevante. Mas entre um atendimento e outro aqui, nessa repartição pública em que trabalho senti a necessidade de dividir uma frustração com quem quer que possa vir a ler essa página de blogspot.
Hoje, dia Cinco de Outubro de 2009, enquanto me arrumava para rumar a meus afazeres, passei em frente à televisão e confesso que me espantei, não com a violência em si, com a gratuidade ou coisa que se nivele a toda essa falta de novidade. Imagino que tenha ocorrido ontem, uma van com nove passageiros capotou em sentido São Paulo-Minas Gerais... Uma equipe da rede Record que estava pela imediação, de prontidão, chegou ao local com câmeras em punho, bem antes mesmo das equipes de resgate.
Incrível, incrível a falta de respeito conotada pela equipe [bem como pela equipe responsável pela edição e todos os restantes], em que todos os passageiros, recém atirados van afora foram filmados, mostrados sem nenhuma censura ou pudor.
Pessoas ensanguentadas, tremulas, recorrendo aos seus aparelhos celulares, assustados.
O sangue frio que corre na veia da trupe de Macedo negou até mesmo aqueles quadriculadinhos de preservação da identidade.
Julgando pelos ângulos e tipos de closes em pessoas desacordados espalhadas pela pista, penso que aquela mesma equipe deve ter dado graças aos céus, pelo ganha-pão que tinham ali em frente de si.
Família, ninguém ali deveria ter. Ou, se tivessem, isso não importava à equipe.
Só uma impressão, ou de repente caiu em esquecimento aquela propagando do “você acredita em Deus? – Então você acredita em milagres...” (e a florzinha desabrocha, as nuvens que se movimentam num uníssono sobre montanhas...) Mas agora... Isso. O desrespeito incondicional faminto por audiência – audiência que por fim, teve!
A imagem de serenidade substituída pela de desastre, conforme uma das duas venha a vender no momento exato...
Acho que a falta de respeito, por parte do que se apanha na tevê, também está bem representado naquele “CQC”. Começaram por aqui criando algum status com a coisa toda do embate moral à Brasília, e logo, bem logo, estavam numa posição extremamente “confortável” como, por exemplo, em um “Momento Top Five” em que Renato Aragão ao deixar o estúdio do programa de Ana Maria Braga acerta com a cabeça numa vidraça (*) e então um dos apresentadores solta a pérola: “... e eu não sei como a vidraça aguentou, porque o Didi tem cabeça de cearense...” (a ênfase é minha). Para mim, uma ultima gota. Nem por curiosidade mais, não parei pra ver nada mais por ali. Já estava entristecido com a atitude da maior parte das pessoas no caso do twitter de Danilo Gentili - confesso que principalmente nesses segmentos de tendência mais subversiva ou, se preferir assim, “underground”... Passamos tanto tempo combatendo a mídia em nossas músicas, nossos fanzines, nossos eventos e agora... Isso. Não temos a coragem de apontar a mira de nosso discurso contra algo pelo qual temos alguma simpatia.
Não mais mordemos a mão que alimenta...
Tudo isso não significa que não assista mais em nenhum momento à televisão, de forma alguma. Imagino ser necessário conhecer, saber do que se enfrenta. Mas o CQC que se dane.
O título deste texto é uma citação a um título dos britânicos do Napalm Death. Sei que é bem óbvio esse negócio de citar letras de grandes bandas, sei. A tradução da deles é “O Público recebe (o que o público não quer)”. Mas neste aportuguesamento do título a alteração é necessária. Se temos uma mídia estúpida como em poucos cantos, se temos governos que vão de ruim a pior, tudo isso é a medida exata do povo. E dói constatar isso.
Mas as grandes tevês só mostram o que o povo quer ver, assim como o povo tem o governo que lhe agrada. Se não agradasse, sairíamos pelas ruas, faríamos as exigências que acordamos em conselho prévio e auto-organizado, e se não atendidas, gritaríamos mais e mais alto. E se fosse necessário até destruiríamos delegacias e centros de transmissão da Globo, Record e semelhantes; tombaríamos carros de ricos e os atearíamos fogo, temeríamos à miséria mais do que à morte e até morreríamos tentando derrubar um governo...
Quanto à televisão o apertar de um botão já resolve muita coisa.
(*) Em que ponto nos tornamos tão tolos que passamos a achar “entretenimentos” do tipo “Vídeo Cassetadas” e “Câmeras Escondidas” engraçados???
3.10.09
Herida de Guerra... Musica en Ataque Al Sistema Capitalista...
o...Segue link para download ( logo teremos cópias em mãos )...
...Costa Rica, Argentina, Brasil ( Praia de Vômito + Atestado de Revolta ), Peru, Chile, Colômbia, Porto Rico, Uruguay, México e Espanha...
Letras, fotos, belo acabamento, uma ótima oportunidade para conferir várias bandas que não circulam tanto por aquí...
4.9.09
Parabéns,Heliópolis!
A Imprensa, esperançosamente agarrada à possibilidae dos disturbios do início de setembro de 2009 terem sido instigados por promessas de cestas básicas aos participantes através de panfletos, ignora que isso não tornaria a força policial em herói da vez, nem tornaria a população mais execrável.
E não dilui a justificativa da ira da multidão de heliópolis.
Ana Cristina de Macedo, 17 anos de idade. Nascida no campo de batalha...
("Nascido no Campo de Batalha...")
10.8.09
TRÊS ANOS NO SUBSOLO DA PIRÂMIDE...
1.8.09
Diante da Lei - Franz Kafka
entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar lhe
a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde.
— "É possível" – diz o guarda. — "Mas não agora!". O guarda afasta-se então
da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro.
Ao ver tal, o guarda ri-se e diz. — "Se tanto te atrai, experimenta entrar,
apesar da minha proibição. Contudo, repara sou forte. E ainda assim sou o
último dos guardas. De sala para sala estão guardas cada vez mais fortes, de
tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim".
O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser
acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. mas, ao olhar o guarda envolvido
no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada
e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O
guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco
desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as
suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando,
pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras
coisas, mas são perguntas lançadas com indiferença, à semelhança dos grandes
senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar.
O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios
custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: — "Aceito
apenas para que te convenças que nada omitiste". Durante anos seguidos,
quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e
aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei.
Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao
envelhecer, limita se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao
fim de tanto examinar o guarda durante anos lhe conhece até as pulgas das
peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda.
Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu
redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão,
um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte esta
próxima. Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeça as experiências de
tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao
guarda. Faz lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo já
arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a
diferença de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do
campo.
— "Que queres tu saber ainda?", pergunta o guarda. — "És insaciável". —
"Se todos aspiram a Lei", disse o homem. — "Como é que, durante todos
esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar. O guarda da porta,
apercebendo se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase
inerte. — "Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era
feita esta porta. Agora vou me embora e fecho-a".
23.7.09
Notas de "O Cortiço" [ Aluísio Azevedo ]
“A Mulher [Estela] percebeu a situação e não lhe deu tempo para fugir; passou-lhe rápido as pernas por cima e, grudando-se-lhe ao corpo, cegou-o com uma metralhada de beijos.
Não se falaram.
Miranda nunca a tivera, nem nunca a vira, assim tão violenta no prazer. Estranhou-a. Afigurou-se-lhe estar nos braços de uma amante apaixonada; descobriu nela o capitoso encanto com que nos embebedam as cortesãs amestradas na ciência do gozo venéreo. Descobriu-lhe no cheiro da pele e no cheiro dos cabelos perfumes que nunca lhe sentira: notou-lhe outro hálito, outro som nos gemidos e nos suspiros. E gozou-a, gozou-a loucamente, com delírio, com verdadeira satisfação de animal no cio.
E ela também, ela também gozou, estimulada por aquela circunstância picante do ressentimento que os desunia; gozou a desonestidade daquele ato que a ambos acanalhava aos olhos um do outro; estorceu-se toda, rangendo os dentes, grunhindo, debaixo daquele seu inimigo odiado, achando-o também agora, como homem, melhor do que nunca, sufocando-o nos seus braços nus, metendo-lhe pela boca a língua úmida e em brasa. Depois, num arranco de corpo inteiro, num soluço gutural e estrangulado, arquejante e convulsa, estatelou-se num abandono de pernas e braços abertos, a cabeça para um lado, os olhos moribundos e chorosos, toda ela agonizante, como se a tivessem crucificado na cama.
A Partir dessa noite, da qual só pela manhã o Miranda se retirou do quarto da mulher, estabeleceu-se entre eles o hábito de uma felicidade sexual, tão completa como ainda não tinham desfrutado, posto que no íntimo de cada um persistisse contra o outro a mesma repugnância moral em nada enfraquecida”.
[ Do Capítulo I de “O Cortiço” de Aluísio Azevedo, em analogia aos cultos pentecostais e ao encontro de Jesus, “o Noivo” e de sua “Noiva”, a igreja...]
.
29.6.09
...as tropas sempre marcharão sobre a liberdade...
Também perseguem ao povo: Manifestantes hondurenhos se protegem dos disparos dos soldados nas redondezas do Palácio Presidencial em Tegucigalpa (capital) nesse 28 de Junho 2009 (Foto Getty Images)
TeleSUR 27/06/09
Nas primeiras horas da manhã deste domingo, militares encapuzados invadiram a residência do presidente Manuel Zelaya. De acordo com a informação da enviada especial da TeleSUR no país, os militares armados presumidamente teriam levado o presidente ao Quartel General da Força Aérea, no entanto, é desconhecida a localização exata do presidente. A Chanceler do país denunciou que Zelaya “foi seqüestrado”.
A Chanceler Patricia Rodas disse à TeleSUR que é desconhecida, neste momento, a localização do presidente, “foi seqüestrado pelos militares”, denunciou. Informou que os militares sitiaram a sua residência e que tomaram a sede do Canal 8.
“Os militares cercaram minha casa, inclusive franco-atiradores”, insistiu. “Eles o seqüestraram e não sabemos seu paradeiro”. “Nossas casas estão rodeadas de militares e não sabemos quanto tempo mais teremos o direito de falar”, alertou a Chanceler.
Afirmou que “acabaram de cometer um crime contra a nossa democracia, já sabemos que os poderosos, responsáveis pelo nosso empobrecimento, não permitem ao nosso povo avançar no caminho da justiça e da liberdade”.
“Assassinaram mais uma vez a esperança de democracia, de eqüidade, com toda uma onda de terrorismo contra o nosso povo”, acrescentou.
A enviada especial da TeleSUR, Madeleine Garcia, ao país, disse que os soldados estão encapuzados e recusam-se a prestar qualquer declaração. Informou que os militares têm uma postura hostil com a imprensa presente no local.
“Não é conhecida a localização do Presidente Zelaya”, insistiu a enviada especial TeleSUR. Representantes de movimentos sociais estão convidando os organismos internacionais para interferir nesta situação. Denunciam o silêncio cúmplice de alguns meios de comunicação que não informam sobre a situação em Honduras.
Fazemos um chamado para os movimentos sociais a concentrar forças nos arredores do Palácio do Governo e denunciarem a situação. Classificam como “golpe de Estado” a ação militar deste domingo e apelam ao respeito e à integridade física de Manuel Zelaya.
Castillo fez um convite às organizações internacionais “voltem seus olhos para Honduras”, porque mesmo sob a presença de observadores internacionais, “militares entram na casa do presidente da República e o seqüestram”.
“Nós estamos pedindo respeito à integridade física do presidente e que ele seja libertado”, disse Castillo.
Alegou que fez um apelo para que os organizadores do referendo para permanecerem nos locais autorizados à votação.
“Estamos convidando os companheiros a permanecerem firmes, velando pala realização da votação”, disse Castillo, que considerou a atuação das Forças Armadas hondurenhas como “uma violação flagrante dos direitos humanos”.
“Exigimos a libertação, o mais rapidamente possível do presidente, este é um seqüestro e este povo não vai ficar com os nossos braços cruzados”, ressaltou Castillo.
Relatou que além da invasão militar do Canal 8 foi suspenso o serviço de energia elétrica, “Honduras está no escuro” denunciam os movimentos sociais.
A jornalista Florença Salgado que trabalha no casa presidencial, denunciou que os soldados entraram na casa do presidente e apontaram suas armas contra os presentes “é desumano o que estão fazendo, são os poderosos que estão em ação”.
A enviada especial TeleSUR Adriana Sivori informou de Honduras que grande parte das Forças Armadas está empenhada no golpe de Estado. Ressaltou que os jornalistas estão muito inseguros sob a mira das armas dos militares.
O referendo para determinar se uma Assembléia Nacional Constituinte é convocada, deve começar neste domingo em Honduras, com a abertura das urnas de votação que foram disponibilizadas nas praças das grandes cidades do país centro-americano.
O referendo, convocado a partir das assinaturas de mais de 400 mil hondurenhos, enfrenta a oposição de determinados setores políticos e sociais de Honduras, os mesmos que executam o golpe de Estado contra o presidente, Manuel Zelaya.
No sábado foram instalados em todo o país 15 mil urnas contendo o material a ser utilizado durante o dia do referendo.
Dois milhões de cédulas foram impressas para o referendo onde o público decide se concorda com realização da sondagem em novembro, se coloca uma quarta urna para convocar a Assembléia Constituinte que deverá redigir uma nova Constituição.
Em declarações exclusivas à TeleSUR assinalou que recorreu ao povo “para que me defenda, para que defenda os direitos constitucionais do país, o Estado de Direito”.
As declarações do presidente se produziram minutos depois que da Supremo Tribunal arbitrou a restituiu ao cargo o Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, Romeo Vasquez, removido por desobedecer as ordens do Presidente Manuel Zelaya.
O Supremo Tribunal Eleitoral (TSE) levou ao meio-dia desta quinta-feira ao Ministério Público uma denúncia para que esta instituição proceda imediatamente a apreensão de toda a logística referente a realização da sondagem que o Executivo planejada realizar no domingo.
Após a denúncia, o procurador-geral Jorge Alberto Rubí ordenou a formação de uma equipa de de ficais liderada por Henry Salgado, titular da Procuradoria Contra a Corrupção para que, em conjunto com o TSE, proceda à apreensão do material.
Frente à medida, milhares de hondurenhos se mobilizaram junto a Zelaya para resgatar o material que permaneceu seqüestrado no Quartel General da Força Aérea do país.
Com a recusa das autoridades na distribuição do material eleitoral, o mesmo foi distribuído por cerca de 45 mil cidadãos da sociedade civil hondurenha.
TeleSUR / md-YR
Fonte original: http://www.telesurtv.net/solotexto/nota/index.php?ckl=53007
Tradução Dario da Silva.
"A CNN ficou colada a tarde toda nisso, enquanto em Honduras o povo saiu à rua com o presidente à frente, enfrentando o perigo até à morte. E a CNN sempre transmitindo uma notícia que é lamentável"
"Se o Michael Jackson morreu, que descanse em paz, é um ser humano. Mas foi a tarde toda dizendo que ganhou não sei quantos prêmios, que vendeu não sei quantos discos. Isto é o capitalismo"
"O império [EUA] tem muito a ver com o que acontece em Honduras."
palavras de Hugo Cháves a respeito do golpe militar em Honduras.
31.5.09
Para todas as mães negras cujos filhos partiram...
“Minha Mãe
(todas as mães negras cujos filhos partiram)
Mas a vida matou em mim essa mística esperança[...]”
Expirado numa sexta feira cinzenta por volta das 19:00 hs com dois tiros nas costas .Mesmo depois de ter caído subitamente morto, deram-lhe mais dois tiros a queima roupa: não com a intenção de garantir a morte do potencial “elemento de alta periculosidade”, mas sim como forma de ostentar poderio. Não foi alvejado de surpresa, muito menos "sem dever nada, ou talvez quase nada” (como na música "Tá na hora" do Consciência Humana), eles(porque estava acompanhado)sabiam o que estaria por vir se trombassem com a polícia: por aqui as relações diplomáticas entre seus patrões e a polícia não andam muito bem.Nas suas rondas, que nunca foram rotineiras, eles estão ostentando seus cospe-chumbos e muita vontade de trabalhar, "fazer polícia" - um termo do ramo que significa a atuação policial sem considerar necessariamente o rigor da lei.
Não posso dizer que o conhecia no sentido estreito da palavra, mas, além de morar na mesma vila, ele era primo de um chegado meu e amigo de infância dos meus priminhos menores. Crescendo e presenciando o crescimento dos outros: as ambições desses moleques descalços com narizes escorrendo eram pipas e outras coisas de interesse característicos dessa idade; agora são roupas e calçados da moda, artigos importados, motos, pagar as rodadas etc.. Não ignoro que há, mesmo nessa infância, um impacto considerável do consumismo impulsionado pela mídia na vida dos moleques, mas eu acredito que na adolescência, quando se aprimora o senso de percepção da vida social, o impacto de um mundo de imagens ilimitadas de mercadorias, que, como é pregado veementemente nos púlpitos de todos os compartimentos de nossa vida social, quando adquiridas, nos tornam mais “alguém” e menos “nada” (qualquer pessoa séria não pode negar que, no contexto atual, quem não consome é como se não existisse, como se fosse invisível: “quando pago logo existo”! ), com o mundo real que é um obstáculo a qualquer aspiração que exceda as fronteiras da sobrevivência, tem proporções astronômicas. Certo não é, mas é justificável que se persiga intensamente, sob qualquer condição e utilizando qualquer método essas mercadorias que fazem de seus possuidores “seres visíveis e não ignoráveis”, afinal, o meio ilegal, justifica a finalidade de ser considerado gente; mesmo que se consiga tudo isso tirando, muitas vezes, de gente que não tem – como acontece direto.Mesmo havendo uma penalidade para quem faz pilantragem na quebrada onde reside, não há penalidade para quem faz pilantragens em outras quebradas: o crime é totalmente destituído de aspectos morais, e esses, quando existem timidamente, são burláveis de acordo com o nível hierárquico de quem burla – se uma essência no crime, “na vida baixa”(Facção Central) essa essência é o despotismo.
O caso é comum, a memória ainda está fresca, mas agente vai se lembrar durante algum tempo; não tenho certeza se me lembrarei perfeitamente de tudo, se levarei para minha cova as lembranças detalhadas de todos os que velei...se serei capaz de interligar lugares, faces, datas, dizeres a seus respectivos correspondentes... Provavelmente não, é impossível, pois a cada dia casos velhos dão lugar a casos novos e, quando menos se espera, a história mais marcante se torna memória vaga. Os detalhes são privilégios dos amigos mais íntimos e dos familiares que, esquecem os detalhes de outros casos, e no final cada um carrega seus próprios mortos. Ele será lembrado como exemplo de mais um da quase totalidade que vai de encontro ao final que, com muita relutância, já sabia que iria ter. Fiel a linhagem: o seu pai foi queimado vivo...
O importante, aqui, não é especular sobre o nível de periculosidade que ele poderia ter atingido ou se, talvez, ele pudesse voltar atrás e virar evangélico ou coisa do tipo – cobrando dos outros a retidão que ele nunca teve. O essencial é questionar a ordem que fabrica esses elementos, que empurra a todo o momento as pessoas pra criminalidade, que castra todas as potencialidades de cidadania inerentes ao ser humano, enfim, a ordem dos que fabricam a guerra, mas não morrem nela (MV Bill). Será que nossas políticas públicas têm capacidade de evitar a criminalização dos pobres? Não! Isso é inerente ao sistema capitalista: tanto a inexorável criminalização dos pobres quanto as raríssimas exceções de pobres que sobem na pirâmide social – na verdade uma estratégia para aparentar uma suposta democracia no sistema e evitar uma inevitável explosão. A nossa pirâmide, a meu ver, perde cada vez mais sua forma clássica: conforme se concentra a riqueza em poucas mãos e se equaliza a esmagadora maioria na miséria, os ângulos vão se estreitando, ela se torna mais cumprida do que larga, pois as classes intermediárias vão sendo eliminadas. Ela vai parecendo mais uma torre. O exército de reserva á espera de ser incorporado se tornou uma massa permanentemente estigmatizada e supérflua. Se antes, no auge da industrialização, os desempregados eram rapidamente assimilados pelas diversas empresas, hoje, com a revolução tecnológica e substituição do trabalho humano por máquinas a assimilação da mão de obra reserva se torna impossível. Uma nova sociedade é tão necessária quanto possível.
A violência urbana sem dúvida é uma imagem da luta de classes, confusa e implícita, que não culmina, ainda, numa batalha em bloco: explorados x oprimidos. Acreditem: tem pessoas que ainda buscam encontrar aspectos subversivos no crime (eu vi até mesmo pretensos “libertários dizendo isso ”). Pra provar o contrário não preciso ir longe: tanto policiais quanto bandidos são inimigos do povo. Normalmente costumasse empregar essa visão em relação à polícia, mas ignorasse o papel opressor dos criminosos nas comunidades. Ali eles são a lei, as regras e as exceções. Como eu escrevi antes: a essência da criminalidade é o despotismo. Uma vez eu ouvi na TV um morador (anónimo) de uma comunidade dizer que foi intimado por um traficante para que mandasse sua filha mais velha – uma adolescente de 15 anos, se não me engano – para atendê-lo sexualmente, se ele negasse, haveria retaliações.
No crime não há mais Hobin Woods. A periferia hoje não oferece risco para os poderosos pelo motivo de o egoísmo próprio dos poderosos ter sido exportado para os que nada têm, aqui, hoje, cada um pensa em si próprio. Ninguém se mobiliza, pois cada qual está voltado pra si mesmo. O favelado, hoje, é a sítese do famoso"Lupus est homo homini non homo" de Hobbes.
Que a autofagia periférica tenha fim. Que se inicie a luta de classes como ela deve ser. Que nessa violência bem canalizada se descubra a humanidade que do nosso povo foi subtraída, parafraseando Frantz Fanon: ”que a vida surja do cadáver em decomposição do opressor, dado que o seu poder significou a nossa ruína: que com um só golpe se abata um opressor e um oprimido.”
Como questionou Mike Davis em seu livro Planeta Favela:
“Mas se o urbanismo informal transforma-se em beco sem saída, os pobres não se revoltarão. As grandes favelas [...] não são apenas vulcões à espera de explodir? ou será que a impiedosa competição darwinista, quando um número cada vez maior de pobres compete pelos mesmos restos informais, gera em vez disso uma violência comunitária que se aniquila a si mesma como forma ainda mais elevada de ‘involução urbana’? Até que ponto o proletariado informal possui o mais potentes dos talismãs marxistas, a ‘ação histórica’?”
... A máquina de imagens deve ruir; a cada crise capitalista, as alternativas possíveis se esgotam...
Enquanto isso, um tapa em Alphaville provoca mais escândalo do que um genocídio diário em nossas comunidades...
Paulo Viana
21.5.09
Os (*)“Fatos” do brasileiro, exposto nas ruas vermelhas de terra...
(**)“Certa Hora... França manda que o Sem-Pernas vá substituir o Volta-Seca na venda de bilhetes. E manda que Volta-Seca vá andar no Carrossel. E o menino toma o cavalo que serviu a Lampião. E enquanto dura a corrida, vai pulando como se cavalgasse um verdadeiro cavalo. E faz movimentos com o dedo, como se atirasse nos que vão na sua frente, e na sua imaginação os vê cair banhados em sangue, sob os tiros da sua repetição...E o cavalo corre e cada vez corre mais, e ele mata a todos, porque são todos soldados dos fazendeiros ricos...”
(*****)
Dez da noite; Periferia zona sul, São Paulo, "Rua Bogotá"...
Ronda policial, viatura avistada; Dois indivíduos correm.
Disparos; o individuo, flagrado em ato de tráfico, cai.
Documentos conferidos: Um Garoto de quinze anos de idade...
Aconteceu nesse sábado dia 16 de maio.
A Notícia quem trouxe até a gente foi o Paulo, na sessão de ensaios que tivemos no domingo dia 17. É gozado como espanta pensar que uma notícia dessas... Já não nos espanta mais. E logo, até esse último espanto vai ter se desfeito. Então, estaremos habituados ao assassinato de crianças, assim como já estamos habituados ao de adultos.
Mas não nego que não só me espantei, como me entristeci profundamente pensar que meu menino mais velho, tem três anos menos do que esse tinha... A mesma faixa de idade. Provavelmente bem menos experiência de ruas, mas o mesmo tempo de experiência de vida...
Não verti lágrimas, mas pensei muito nas da mãe desse garoto...
E me apertou o coração, visualizar em minha mente algumas feições, defendendo ter sido “melhor assim...”, “Bom mesmo...”, e que “traficante tem que morrer mesmo...”.
Não quero, nem vou entrar num mérito de defesa do traficante em geral, mas me deter nesse caso, nesse ponto especificamente... A despeito de todo mal que o tráfico desse garoto agora morto pudesse ter feito, por exemplo, contra minha própria família, contra esse meu mesmo menino mais velho, me chamou a atenção o fato ter se dado na rua de cima duma escola... Inserida num padrão que, desde que eu era criança, é o de um lugar cinzento, sem atrativos; que ensina coisas as quais muito provavelmente, só vão ser vistas ali dentro e nenhuma utilidade mais vão ter quando puserem os pés pra fora dali, pra “vida real”; O lugar responsável por nos formar, por nos dar em mãos ferramentas pra enfrentar essa “Vida Real”, sem que você saiba ler ou escrever decentemente... te empurra pra fora. Te expulsa.
Ou, essa mesma “Vida real”, vem até a porta e te puxa de modo humilhante e violento de lá de dentro...
Todos ansiamos por (sobre-) viver e entendamos isso, nesse mundinho estúpido, por ganhar dinheiro... Por comer um pouco melhor, vestir um pouco melhor, por morar um pouco melhor, e se “melhor” é o que a televisão mostra, sobretudo os de menos formação entenderão que se for necessária a violência, pra conseguir o que se mostra ali, será usada; se for necessário o roubo pra conseguir, será feito e se for necessário o narcotráfico pra levantar os fundos pra obter esse melhor, não restam dúvidas de que será usado, já que não estimula muito crescer vendo seu pai, além de completamente desgastado, esgotado num trabalho de merda, recebendo um salário que faria rir, se não gerasse antes uma descrença total em dias melhores.
Isso quando esse pai tem um emprego.
E isso, se esse garoto em questão tiver um pai...
Não é muito estimulante também crescer vendo em portas de bares os exemplos de heróis com armas na cintura exercendo o papel de estado, os prováveis exemplos de futuro que só saem de dentro do bar pra caírem detonados de álcool na calçada ; ou a viatura que passa “patrulhando e mantendo a ordem”, e inclua nisso alvejar um garoto de 15 anos... Inclua nisso, o caso da Dona Geni, de Diadema, dona de bar na região que após reclamar do abuso de autoridade que um grupo de policiais promoveu contra garotos menores de idade dentro de seu estabelecimento, teve , dias depois a vida tirada com mais de vinte tiros, e o suspeito, um desses policiais era um vizinho próximo a ela... Morador da mesma periferia. Vítima dos mesmos males... Sofredor das mesmas assolações, ele e sua família. Aliás, como todo policial! Me pergunto – ciente da resposta – do por que de não termos noticias de ricos que se tornaram policiais. Ora! Óbvio que um dono de cães não vai passar a agir feito um! E claro que o dono só serve seu cão de comida, banho e quando muito alguma diversão! Mas na hora de suas refeições tão abastadas o cão fica de fora! Na hora do sono, o dono está confortável com suas posses e seguro pelo cão que está a seu serviço, e não o inverso. O mesmo está posto para os ricos e a polícia.
Com a breve diferença de que os cães por instinto mantém sua dignidade.
Definitivamente não é para nosso serviço e nossa proteção que existe a policia. Ela existe PARTINDO DA Elite e PARA A Elite, servindo, protegendo e guardando do risco que nasce nas classes excluídas, nas periferias, nas vizinhanças onde nascem estes mesmos policiais (e que por fim, tiveram tantos “bons exemplos” quanto qualquer um outro dali...). Frustrante pensar que as operações que se vê nas favelas, a viatura que estaciona na esquina de nossas casas estão ali pra nossa proteção... Mera contenção de explosão social, a fins de evitar que surja ali algum risco que migre aos bairros dos ricos...
Fosse pra nós mesmo que existisse a polícia e seus serviços, primeiramente seus salários seriam dignos de trabalhadores; haveria continuamente um em cada ônibus, um em cada corredor de escola, garantindo a paz e a segurança das crianças e adolescentes, dos trabalhadores mães e pais de família, e não o contrário, sendo difícil encontrar um e quando encontra, é só para promover o pavor e a ameaça...
Mas não é pra nós que ela existe e já aprendemos a conviver com isso.
Nessa brecha quem entra é o trafico, que garante mais segurança do que a própria polícia.
Não é pra nós que ela existe e já aprendemos a fingir que tudo vai bem quando um camburão passa por nós. Já aprendemos a ter movimentos furtivos a primeira vista.
Alguns aprenderam que em alguns momentos é melhor arriscar a correr e pelo menos tentar escapar, do que se entregar pra morrer.
Alguns não têm o tempo necessário a aprender isso... E são alvejados, como foi esse garoto...
Notas:
(*)“Fatos”, aqui no título, entenda por “entranhas”, “vísceras”, como era costume dos antigos se referirem a estas partes nos animais eviscerados.
(**) e (***) de “Os Capitães da Areia” [ de Jorge Amado ]
(****) Extraído da reportagem de Elpida Nikú, de Atenas, para revista grega “Alana”.
(*****) Nomes e lugares deste texto foram omitidos por motivos óbvios...
13.4.09
Praia de Vômito, No Botafogo... RJ...14 , Fev 09
Detesto Clima quente, mas que se foda isso.
Por isso que deixo eles vivos, no que depende de mim.
Determinado ponto de uma viagem igual a essaÉ meio angustiante ou sufocante, sei lá( ... )
O meio do caminho parece nunca acabar , cheio de saudades, de ansiedade ( ... )
Ansiedade do inferno!
Pôrra, nem um beijo no meu brother eu pude deixar.
No Ouvido: "Nossas meninas estão longe daquí, e de repente eu ví você cair...
Serra das Araras! Há! Incomparável!
Quando chegamos, foda-se o calor.
Acho que encontrei uma prova de carinho por você!
Queria que sentisse, da mesma forma que a gente.
buscando o efeito do farfalhar das asas de borboleta de nosso quintal
Queria que você também visse as casas de periferia e a "maquiada por cima" que o Crivela providenciou.
Sentisse o odor de esgoto que foi deixado para as futuras populações carcerárias do globo na praia do Botafogo
( ... )
Queria que estivesse lá no Hanoi;
Queria que estivesse com a gente no caminho até a casa do Bruno, Botafogo ao Méier...
Surreal!
Pôxa, parecia que os cruzamentos, as esquinas... cospiam aquelas motos na rua!
( ... )
Lindos.
Domingo quente, cara...Pra algum deles, parece ser o suficiente pra usar blusa ( ! )
( ... )
Gozado que na hora de sair fora
Ansiedade gigante pra rever nossos queridos daquí, nossas crianças, nossas parceiras...
E o surreal ficou na memória, nas oito horas de viagem...
No meio do Méier, madrugada a dentro...
Uma Leitoa ( GIGANTE ) e seus filhotes ( !!! )
Gozado que o que mais me chamou atenção ( além do tamanho da Leitoa )
lembrei do Pink FLoyd ao vivo, "One of These Days";
Pensei mais ainda nessa capa depois que ví os olhos da Leitoa, na foto.
Um beijo.
Augusto Miranda; Douglas Mikulas; Silas Viana...











