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31.5.09

Para todas as mães negras cujos filhos partiram...


“Minha Mãe
(todas as mães negras cujos filhos partiram)
tu me ensinaste a esperar como esperaste nas horas difíceis
Mas a vida matou em mim essa mística esperança[...]”
(Agostinho Neto, trecho do poema ‘Adeus à hora da largada’)



Expirado numa sexta feira cinzenta por volta das 19:00 hs com dois tiros nas costas .Mesmo depois de ter caído subitamente morto, deram-lhe mais dois tiros a queima roupa: não com a intenção de garantir a morte do potencial “elemento de alta periculosidade”, mas sim como forma de ostentar poderio. Não foi alvejado de surpresa, muito menos "sem dever nada, ou talvez quase nada” (como na música "Tá na hora" do Consciência Humana), eles(porque estava acompanhado)sabiam o que estaria por vir se trombassem com a polícia: por aqui as relações diplomáticas entre seus patrões e a polícia não andam muito bem.Nas suas rondas, que nunca foram rotineiras, eles estão ostentando seus cospe-chumbos e muita vontade de trabalhar, "fazer polícia" - um termo do ramo que significa a atuação policial sem considerar necessariamente o rigor da lei.
Não posso dizer que o conhecia no sentido estreito da palavra, mas, além de morar na mesma vila, ele era primo de um chegado meu e amigo de infância dos meus priminhos menores. Crescendo e presenciando o crescimento dos outros: as ambições desses moleques descalços com narizes escorrendo eram pipas e outras coisas de interesse característicos dessa idade; agora são roupas e calçados da moda, artigos importados, motos, pagar as rodadas etc.. Não ignoro que há, mesmo nessa infância, um impacto considerável do consumismo impulsionado pela mídia na vida dos moleques, mas eu acredito que na adolescência, quando se aprimora o senso de percepção da vida social, o impacto de um mundo de imagens ilimitadas de mercadorias, que, como é pregado veementemente nos púlpitos de todos os compartimentos de nossa vida social, quando adquiridas, nos tornam mais “alguém” e menos “nada” (qualquer pessoa séria não pode negar que, no contexto atual, quem não consome é como se não existisse, como se fosse invisível: “quando pago logo existo”! ), com o mundo real que é um obstáculo a qualquer aspiração que exceda as fronteiras da sobrevivência, tem proporções astronômicas. Certo não é, mas é justificável que se persiga intensamente, sob qualquer condição e utilizando qualquer método essas mercadorias que fazem de seus possuidores “seres visíveis e não ignoráveis”, afinal, o meio ilegal, justifica a finalidade de ser considerado gente; mesmo que se consiga tudo isso tirando, muitas vezes, de gente que não tem – como acontece direto.Mesmo havendo uma penalidade para quem faz pilantragem na quebrada onde reside, não há penalidade para quem faz pilantragens em outras quebradas: o crime é totalmente destituído de aspectos morais, e esses, quando existem timidamente, são burláveis de acordo com o nível hierárquico de quem burla – se uma essência no crime, “na vida baixa”(Facção Central) essa essência é o despotismo.
O caso é comum, a memória ainda está fresca, mas agente vai se lembrar durante algum tempo; não tenho certeza se me lembrarei perfeitamente de tudo, se levarei para minha cova as lembranças detalhadas de todos os que velei...se serei capaz de interligar lugares, faces, datas, dizeres a seus respectivos correspondentes... Provavelmente não, é impossível, pois a cada dia casos velhos dão lugar a casos novos e, quando menos se espera, a história mais marcante se torna memória vaga. Os detalhes são privilégios dos amigos mais íntimos e dos familiares que, esquecem os detalhes de outros casos, e no final cada um carrega seus próprios mortos. Ele será lembrado como exemplo de mais um da quase totalidade que vai de encontro ao final que, com muita relutância, já sabia que iria ter. Fiel a linhagem: o seu pai foi queimado vivo...
O importante, aqui, não é especular sobre o nível de periculosidade que ele poderia ter atingido ou se, talvez, ele pudesse voltar atrás e virar evangélico ou coisa do tipo – cobrando dos outros a retidão que ele nunca teve. O essencial é questionar a ordem que fabrica esses elementos, que empurra a todo o momento as pessoas pra criminalidade, que castra todas as potencialidades de cidadania inerentes ao ser humano, enfim, a ordem dos que fabricam a guerra, mas não morrem nela (MV Bill). Será que nossas políticas públicas têm capacidade de evitar a criminalização dos pobres? Não! Isso é inerente ao sistema capitalista: tanto a inexorável criminalização dos pobres quanto as raríssimas exceções de pobres que sobem na pirâmide social – na verdade uma estratégia para aparentar uma suposta democracia no sistema e evitar uma inevitável explosão. A nossa pirâmide, a meu ver, perde cada vez mais sua forma clássica: conforme se concentra a riqueza em poucas mãos e se equaliza a esmagadora maioria na miséria, os ângulos vão se estreitando, ela se torna mais cumprida do que larga, pois as classes intermediárias vão sendo eliminadas. Ela vai parecendo mais uma torre. O exército de reserva á espera de ser incorporado se tornou uma massa permanentemente estigmatizada e supérflua. Se antes, no auge da industrialização, os desempregados eram rapidamente assimilados pelas diversas empresas, hoje, com a revolução tecnológica e substituição do trabalho humano por máquinas a assimilação da mão de obra reserva se torna impossível. Uma nova sociedade é tão necessária quanto possível.
A violência urbana sem dúvida é uma imagem da luta de classes, confusa e implícita, que não culmina, ainda, numa batalha em bloco: explorados x oprimidos. Acreditem: tem pessoas que ainda buscam encontrar aspectos subversivos no crime (eu vi até mesmo pretensos “libertários dizendo isso ”). Pra provar o contrário não preciso ir longe: tanto policiais quanto bandidos são inimigos do povo. Normalmente costumasse empregar essa visão em relação à polícia, mas ignorasse o papel opressor dos criminosos nas comunidades. Ali eles são a lei, as regras e as exceções. Como eu escrevi antes: a essência da criminalidade é o despotismo. Uma vez eu ouvi na TV um morador (anónimo) de uma comunidade dizer que foi intimado por um traficante para que mandasse sua filha mais velha – uma adolescente de 15 anos, se não me engano – para atendê-lo sexualmente, se ele negasse, haveria retaliações.
No crime não há mais Hobin Woods. A periferia hoje não oferece risco para os poderosos pelo motivo de o egoísmo próprio dos poderosos ter sido exportado para os que nada têm, aqui, hoje, cada um pensa em si próprio. Ninguém se mobiliza, pois cada qual está voltado pra si mesmo. O favelado, hoje, é a sítese do famoso"Lupus est homo homini non homo" de Hobbes.

O alívio é que não existe essência humana atemporal. Há uma saída! Ela se mostrou timidamente nos confrontos do dia dois de Fevereiro em Paraisópolis, decorrentes do assassinato de um morador, após uma ação policial – é pouco, mas é alguma coisa.
Que a autofagia periférica tenha fim. Que se inicie a luta de classes como ela deve ser. Que nessa violência bem canalizada se descubra a humanidade que do nosso povo foi subtraída, parafraseando Frantz Fanon: ”que a vida surja do cadáver em decomposição do opressor, dado que o seu poder significou a nossa ruína: que com um só golpe se abata um opressor e um oprimido.”

Como questionou Mike Davis em seu livro Planeta Favela:
“Mas se o urbanismo informal transforma-se em beco sem saída, os pobres não se revoltarão. As grandes favelas [...] não são apenas vulcões à espera de explodir? ou será que a impiedosa competição darwinista, quando um número cada vez maior de pobres compete pelos mesmos restos informais, gera em vez disso uma violência comunitária que se aniquila a si mesma como forma ainda mais elevada de ‘involução urbana’? Até que ponto o proletariado informal possui o mais potentes dos talismãs marxistas, a ‘ação histórica’?”

Que chegue o tempo em que desperte o Che, o Marighella que existe em cada favelado (como cantava o Clã Nordestino). Conselhos de fábrica, conselhos de campesinos, conselhos de favela! expressão genuína dos que foram negadas até mesmo a expressão. Nesse tempo, na guerra, tantos os assassinados quanto os assassinos não mais passarão despercebidos. A morte de cada favelado terá o impacto que teve a morte de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht, Marighella, Steve Biko, Alexandros Grigoropoulos, Chico Mendes etc., nos seus respectivos tempos. Mas isso é impossível com a favela que nós temos hoje, o aprofundamento das crises capitalistas e a irremediável colisão vindoura devem criar um novo favelado, uma nova comunidade.

... A máquina de imagens deve ruir; a cada crise capitalista, as alternativas possíveis se esgotam...

Enquanto isso, um tapa em Alphaville provoca mais escândalo do que um genocídio diário em nossas comunidades...
“A promessa é de que, mais uma vez, saído do lixo, das penas espalhadas, das cinzas e dos corpos em pedaços, algo novo e belo possa nascer” (John Berger)

Paulo Viana



fotos: André Cypriano

21.5.09

Os (*)“Fatos” do brasileiro, exposto nas ruas vermelhas de terra...

Garoto de Quinze Anos, Assassinado por Policiais...
Augusto Miranda


(**)“Certa Hora... França manda que o Sem-Pernas vá substituir o Volta-Seca na venda de bilhetes. E manda que Volta-Seca vá andar no Carrossel. E o menino toma o cavalo que serviu a Lampião. E enquanto dura a corrida, vai pulando como se cavalgasse um verdadeiro cavalo. E faz movimentos com o dedo, como se atirasse nos que vão na sua frente, e na sua imaginação os vê cair banhados em sangue, sob os tiros da sua repetição...E o cavalo corre e cada vez corre mais, e ele mata a todos, porque são todos soldados dos fazendeiros ricos...”






(*****)

Dez da noite; Periferia zona sul, São Paulo, "Rua Bogotá"...

Ronda policial, viatura avistada; Dois indivíduos correm.
Disparos; o individuo, flagrado em ato de tráfico, cai.
Documentos conferidos: Um Garoto de quinze anos de idade...

Aconteceu nesse sábado dia 16 de maio.

A Notícia quem trouxe até a gente foi o Paulo, na sessão de ensaios que tivemos no domingo dia 17. É gozado como espanta pensar que uma notícia dessas... Já não nos espanta mais. E logo, até esse último espanto vai ter se desfeito. Então, estaremos habituados ao assassinato de crianças, assim como já estamos habituados ao de adultos.



Mas não nego que não só me espantei, como me entristeci profundamente pensar que meu menino mais velho, tem três anos menos do que esse tinha... A mesma faixa de idade. Provavelmente bem menos experiência de ruas, mas o mesmo tempo de experiência de vida...



Não verti lágrimas, mas pensei muito nas da mãe desse garoto...

E me apertou o coração, visualizar em minha mente algumas feições, defendendo ter sido “melhor assim...”, “Bom mesmo...”, e que “traficante tem que morrer mesmo...”.



Não quero, nem vou entrar num mérito de defesa do traficante em geral, mas me deter nesse caso, nesse ponto especificamente... A despeito de todo mal que o tráfico desse garoto agora morto pudesse ter feito, por exemplo, contra minha própria família, contra esse meu mesmo menino mais velho, me chamou a atenção o fato ter se dado na rua de cima duma escola... Inserida num padrão que, desde que eu era criança, é o de um lugar cinzento, sem atrativos; que ensina coisas as quais muito provavelmente, só vão ser vistas ali dentro e nenhuma utilidade mais vão ter quando puserem os pés pra fora dali, pra “vida real”; O lugar responsável por nos formar, por nos dar em mãos ferramentas pra enfrentar essa “Vida Real”, sem que você saiba ler ou escrever decentemente... te empurra pra fora. Te expulsa.

Ou, essa mesma “Vida real”, vem até a porta e te puxa de modo humilhante e violento de lá de dentro...



Todos ansiamos por (sobre-) viver e entendamos isso, nesse mundinho estúpido, por ganhar dinheiro... Por comer um pouco melhor, vestir um pouco melhor, por morar um pouco melhor, e se “melhor” é o que a televisão mostra, sobretudo os de menos formação entenderão que se for necessária a violência, pra conseguir o que se mostra ali, será usada; se for necessário o roubo pra conseguir, será feito e se for necessário o narcotráfico pra levantar os fundos pra obter esse melhor, não restam dúvidas de que será usado, já que não estimula muito crescer vendo seu pai, além de completamente desgastado, esgotado num trabalho de merda, recebendo um salário que faria rir, se não gerasse antes uma descrença total em dias melhores.

Isso quando esse pai tem um emprego.

E isso, se esse garoto em questão tiver um pai...



Não é muito estimulante também crescer vendo em portas de bares os exemplos de heróis com armas na cintura exercendo o papel de estado, os prováveis exemplos de futuro que só saem de dentro do bar pra caírem detonados de álcool na calçada ; ou a viatura que passa “patrulhando e mantendo a ordem”, e inclua nisso alvejar um garoto de 15 anos... Inclua nisso, o caso da Dona Geni, de Diadema, dona de bar na região que após reclamar do abuso de autoridade que um grupo de policiais promoveu contra garotos menores de idade dentro de seu estabelecimento, teve , dias depois a vida tirada com mais de vinte tiros, e o suspeito, um desses policiais era um vizinho próximo a ela... Morador da mesma periferia. Vítima dos mesmos males... Sofredor das mesmas assolações, ele e sua família. Aliás, como todo policial! Me pergunto – ciente da resposta – do por que de não termos noticias de ricos que se tornaram policiais. Ora! Óbvio que um dono de cães não vai passar a agir feito um! E claro que o dono só serve seu cão de comida, banho e quando muito alguma diversão! Mas na hora de suas refeições tão abastadas o cão fica de fora! Na hora do sono, o dono está confortável com suas posses e seguro pelo cão que está a seu serviço, e não o inverso. O mesmo está posto para os ricos e a polícia.

Com a breve diferença de que os cães por instinto mantém sua dignidade.



Definitivamente não é para nosso serviço e nossa proteção que existe a policia. Ela existe PARTINDO DA Elite e PARA A Elite, servindo, protegendo e guardando do risco que nasce nas classes excluídas, nas periferias, nas vizinhanças onde nascem estes mesmos policiais (e que por fim, tiveram tantos “bons exemplos” quanto qualquer um outro dali...). Frustrante pensar que as operações que se vê nas favelas, a viatura que estaciona na esquina de nossas casas estão ali pra nossa proteção... Mera contenção de explosão social, a fins de evitar que surja ali algum risco que migre aos bairros dos ricos...



Fosse pra nós mesmo que existisse a polícia e seus serviços, primeiramente seus salários seriam dignos de trabalhadores; haveria continuamente um em cada ônibus, um em cada corredor de escola, garantindo a paz e a segurança das crianças e adolescentes, dos trabalhadores mães e pais de família, e não o contrário, sendo difícil encontrar um e quando encontra, é só para promover o pavor e a ameaça...



Mas não é pra nós que ela existe e já aprendemos a conviver com isso.

Nessa brecha quem entra é o trafico, que garante mais segurança do que a própria polícia.

Não é pra nós que ela existe e já aprendemos a fingir que tudo vai bem quando um camburão passa por nós. Já aprendemos a ter movimentos furtivos a primeira vista.



Alguns aprenderam que em alguns momentos é melhor arriscar a correr e pelo menos tentar escapar, do que se entregar pra morrer.

Alguns não têm o tempo necessário a aprender isso... E são alvejados, como foi esse garoto...





( ***)“. Depois vai o Sem-Pernas. Vai calado, uma estranha comoção o possui. Vai como um crente para a missa, um amante para o seio da mulher amada, um suicida para a morte. Vai pálido e coxeia. Monta um cavalo azul que tem estrelas pintadas no lombo de madeira. Os lábios estão apertados, seus ouvidos não ouvem a música da pianola. Só vê as luzes que giram com ele e prende em sí a certeza de que está num carrossel, girando num cavalo como todos aqueles meninos que têm pai e mãe, e uma casa e quem os beije e quem os ame. Pensa que é um deles e fecha os olhos para guardar melhor esta certeza. Já não vê os soldados que o surraram, o homem de colete que ria. Volta-Seca os matou na sua corrida. O Sem-Pernas vai teso no seu cavalo. É como se corresse sobre o mar para as estrelas na mais maravilhosa viagem do mundo.

Uma viagem como o professor nunca leu nem inventou.

Seu coração bate tanto, tanto, que ele o aperta com a mão.”



(****)"Do lado de fora do Congresso do país, uma menina está conversando com um policial em um momento de calma, lhe perguntando por que estão batendo nos meninos e meninas, por que reprimem a ela e a seus companheiros. O policial pergunta quantos anos ela tem. Ela responde que tem 18 anos. O policial ri e diz que quando ela tiver 40 anos mudará de idéia. E a menina de 18 lhe responde: "quer dizer que quando eu tiver 40 e matarem a um menino de 15, do meu lado, eu vou ficar quieta?". A conversa acaba aí e a palavra se perde por detrás do som das bombas molotov e do som do cassetete, de novo o mesmo, caindo sobre as costas de outros jovens como ela."



Notas:

(*)“Fatos”, aqui no título, entenda por “entranhas”, “vísceras”, como era costume dos antigos se referirem a estas partes nos animais eviscerados.



(**) e (***) de “Os Capitães da Areia” [ de Jorge Amado ]



(****) Extraído da reportagem de Elpida Nikú, de Atenas, para revista grega “Alana”.



(*****) Nomes e lugares deste texto foram omitidos por motivos óbvios...



13.4.09

Praia de Vômito, No Botafogo... RJ...14 , Fev 09

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Odeio Calor. Detesto!
Odeio calor, mas adoro o Rio de Janeiro!

Detesto Clima quente, mas que se foda isso.
A prioridade é estar frente a algumas faces extremamente amigas.
Aliás, detesto clima quente mas gosto muito de porcos.
Por isso que deixo eles vivos, no que depende de mim.

Determinado ponto de uma viagem igual a essaÉ meio angustiante ou sufocante, sei lá( ... )

O meio do caminho parece nunca acabar , cheio de saudades, de ansiedade ( ... )
entre a saudade dos que você deixou em casa e a ansiedade por rever tanta gente que fatalmente marcou, na pessoa que você é hoje...

Ansiedade do inferno!
Estômago gelado de ansiedade. E uma saudade gigante...
Parece que faz uma vida que nossas crianças ficaram dormindo e que a gente saiu pra estação Tietê.

Pôrra, nem um beijo no meu brother eu pude deixar.
Ok, Voltamos logo.

No Ouvido: "Nossas meninas estão longe daquí, e de repente eu ví você cair...
Se lembra quando era só brincadeira fingir ser soldado a tarde inteira...?"

Serra das Araras! Há! Incomparável!

Quando chegamos, foda-se o calor.
Abraço forte nos amigos, zanzar pelas ruas do Rio, Fotos tantas quanto possível.
Acho que encontrei uma prova de carinho por você!

Olha só, é por isso que eu fotografo tudo feito bobo!
Queria que estivesse lá com a gente, queria que visse tudo.
Queria que sentisse, da mesma forma que a gente.
A coisa toda de sentir a sujeira de outro estado;
Sentir que o pessoal de tão longe ( nem tão longe assim )
Sente e sofre,Luta e vence ( ou perde ) igual você.

buscando o efeito do farfalhar das asas de borboleta de nosso quintal
no quintal de um outro povo em um outro estado...
Queria que você também visse as casas de periferia e a "maquiada por cima" que o Crivela providenciou.
Sentisse o odor de esgoto que foi deixado para as futuras populações carcerárias do globo na praia do Botafogo
( ... )

Queria que estivesse lá no Hanoi;
assistisse ao D.A.D, ao Alcool Boys, ao Baga, ao Scarce, Ao Horrificia e ao Dissgrama...
Queria que estivesse com a gente no caminho até a casa do Bruno, Botafogo ao Méier...

Surreal!
Foi a palavra que veio à nossa mente nessa "três e meia da manhã"...
Exaustão. Todos em exaustão.
Muito longe de casa.
No horizonte, só que logo mais acima, em cada esquina que se vira,os morros deixam um recado de " mantenha o respeito..."
Que, aliás, é o mesmo recado deixado por aqueles distintos senhores e suas motocicletas propositalmente barulhentas...
Pôxa, parecia que os cruzamentos, as esquinas... cospiam aquelas motos na rua!
E quase atropelaram os Porcos!
( ... )
A casa do Bruno tem os gatos mais inteligentes que pude ver até hoje.

Lindos.

Domingo quente, cara...Pra algum deles, parece ser o suficiente pra usar blusa ( ! )
( ... )

Gozado que na hora de sair fora
fica uma saudade muito grande do lugar e daqueles queridos e queridas.

Ansiedade gigante pra rever nossos queridos daquí, nossas crianças, nossas parceiras...
E o surreal ficou na memória, nas oito horas de viagem...

No meio do Méier, madrugada a dentro...
Cansaço estampado nas faces e projetado nas costas arqueadas,
As motos... Os morros... Longe de casa...

Uma Leitoa ( GIGANTE ) e seus filhotes ( !!! )
conferem calmamente algumas sacolas de lixo que arrastaram pro meio da avenida...
Gozado que o que mais me chamou atenção ( além do tamanho da Leitoa )
era como ela, limpa daquele jeito, contrastava tanto com cenário!
E nossa aproximação não parece ter efeito algum neles. Costume.

lembrei do Pink FLoyd ao vivo, "One of These Days";
Pensei na Revolução dos Bichos;
Pensei na capa do Extincción, do looking for an Answer...

Pensei mais ainda nessa capa depois que ví os olhos da Leitoa, na foto.

Surreal demais pra mim.
E isso vicia.

Um beijo.





Augusto Miranda; Douglas Mikulas; Silas Viana...

17.3.09

Continuação | O Aborto em uima menina de 09 anos...

ENTREVISTA COM MÉDICO EXCOMUNGADO (graaaande coisa..) POR REALIZAR ABORTO EM CRAINÇA DE 09 ANOS:

Extraído da página de Perpétua Almeida, deputada pelo PCdoB , na Região do Acre,

15/03/2009 15:17:05


"Minha comunhão é com Deus", diz médico excomungado em Pernambuco


Nesta semana foi divulgada a informação de que o estuprador e pedófilo, Isaac Vanderley, tentou se matar na prisão. Ele foi preso no dia 27 de fevereiro após confessar ter abusado sexualmente das duas enteadas, uma de 9 outra de 14 anos, que apresenta problemas mentais. A mais nova engravidou, de gêmeos. A mãe levou meses até se dar conta das condições da filha. Em Alagoinha, Agreste pernambucano, barriga de criança é verme. Levada ao posto de saúde, a gravidez foi descoberta e a menina, encaminhada para o Recife, foi submetida a um aborto. O procedimento é previsto em lei em caso de estupro e de risco de vida para a mãe. A garota preenchia os dois requisitos.

Não bastasse a dureza da história, o episódio foi marcado pela participação do arcebispo de Olinda e Recife, dom José Cardoso Sobrinho, que achou por bem excomungar a mãe, os médicos e toda a equipe envolvida no procedimento. A atitude do religioso, que eximiu de sanções o pedófilo estuprador, serve para mostrar até onde chegam a confusão e a insanidade quando o tema é aborto.

A Secretaria Executiva de Ressocialização do Estado de Pernambuco informou que o padrasto tentou cortar os pulsos com fios de náilon, há cerca de uma semana, dentro da prisão. Os ferimentos foram leves e ele não corre risco.

A decisão do arcebispo está de acordo com a posição da Igreja sobre o tema aborto (crime contra a vida) e estupro (pecado grave) e foi aprovado por autoridades do Vaticano e pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Quem sabe dom José venha a ser premiado com o cardinalato.

O presidente Lula e o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, entendem que o gesto do arcebispo está descolado da realidade e solidarizam-se com o professor de Medicina da Universidade Estadual de Pernambuco, Rivaldo Mendes de Albuquerque. Este, excomungado em público pelo arcebispo pela segunda vez. A primeira foi em 1996, quando o serviço de atendimento às mulheres vítimas de violência sexual foi inaugurado na universidade. Albuquerque falou à CartaCapital:

CartaCapital: Como o senhor se sentiu ao ser excomungado pela segunda vez?
Rivaldo Mendes de Albuquerque: Não modificou absolutamente em nada a minha vida. A excomunhão não fechou meus olhos para as violências que vejo praticadas, diariamente, contra as mulheres. Sou médico e constato que o aborto é uma questão de saúde pública. A excomunhão em nada ajuda a resolver este problema. Apenas reforça uma postura da Igreja, que não está associada aos que mais precisam. Do ponto de vista religioso, a penalidade é forte, mas não me atinge porque tenho a certeza de que estou ajudando mulheres a saírem de situações extremas. Viver uma situação de violência é como viver no inferno.

CC: O senhor frequenta a missa regularmente. Passou a ser alvo de olhares de desprezo ou reprovação após as excomunhões?
RMA: Na primeira vez, fiquei impactado, mas depois percebi que não era nada daquilo. Nunca deixei de comungar. Minha comunhão é com Deus. Em 1996 eu não recebi tanta solidariedade como agora, pois a divulgação não foi tão grande como desta vez. Agora, infelizmente, o arcebispo não demonstrou um olhar de piedade por uma criança. Manifestou apenas um olhar de raiva, de castigo.

CC: Como a equipe médica se comportou após a excomunhão conjunta?
RMA: Todos demonstram muita tranquilidade. Lamentavelmente, o caso dessa garota é apenas mais um entre tantos com os quais lidamos aqui. A violência contra a mulher existe, e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres têm de ser respeitados. O aborto ser crime não protege as mulheres, não evita que ocorra, nem dá saúde à mulher. Ou seja: não resolve o problema. A descriminalização pode melhorar essa situação. Com ela, teremos de respeitar a vontade das pessoas. O Estado é laico e deveria agir como tal, não cedendo às pressões da Igreja.


Fonte: Carta Capital

6.3.09

... O Aborto em Uma Criança de 09 Anos ...

Muitos Têm escutado sobre o triste caso da pequena garotinha de nove anos que teve de ser submetida a um processo de aborto, esta vítima de estupro por parte de seu padrasto no agreste de Pernambuco...

Por incrível que pareça, mais atenção se deu à excomunhão dos envolvidos no processo da interrupção do que à situação da criança, e devido à extrema imprtância que imprensa brasileira deu a isso, muito mais gente esteve a prestar atenção nas ordenanças da tradição e veneração católicas... uma coisa, é essa bobagem toda que circunda o ambiente católico/cristão, outra coisa, a intervenção da lepra espiritual deles em questões públicas, em caráter de instituição religiosa.

Diante disso, sentí uma necessidade extrema de me reportar a alguém "mais da cúpula...",e, advinha só? Fui lá com os preletores da "Inquisição Nova" ( Canção Nova... ), e até achei uma postagem muito "interessante" do senhor Prof. Felipe Aquino ( vocês vão encontrar muitas diferenças nessa postagem... ), olha só:

http://blog.cancaonova.com/felipeaquino/2009/03/06/sobre-o-aborto-da-menina-de-9-anos/

Como havia um espaço aberto para comentários, decidí por adentrar-me nos portões dos céus e deixei um comentário por lá...

Mas no edificante, sempre imparcial e nunca contraditório terreno do catolicismo virtual não havia espaços pra discordâncias ( "e otras cositas más" ) , então, em menos de cinco minutos retiraram a postagem.

Aquí ele segue na íntegra:

"A Felipe Aquino, deixo um desabafo:

Visto que não possui hombridade suficiente a assumir seus méritos e culpas, e, portanto credita seu destino a um amigo imaginário, espero que pelo menos tenha hombridade a publicar e deixar publicado esta postagem.
Divergência de Opiniões constam como "prohibire" em qual Sacro-Tolice-Medieval de seu organismo eticamente falido?

Entendo ( e até bem ), que não aceitem o aborto. Entendo mesmo ( num dado momento é idêntico a estar observando uma daquelas fazendinha de formigas em potes de vidros...).
Agora, o descabido é que tentem interferir na escolha alheia! Escute aqui, Senhor Aqüino, lhe direi o que sei que nunca vai fazer nenhum efeito, mas o direi pra que se ressalte que o câncer cristão não está a corroer à todos por inteiro.

A Obrigação de vocês deveria ser a de orientar os seus fiéis e patrícios a não praticarem a interrupção da gravidez, por assim o crerem, mas a alçada é outra quando tentam interferir na escolha da nação, de modo generalizado, crendo que desse modo se impede de acontecer o fato! ( Observação breve: se dão-se o direito de serem tão maniqueístas no tocante ao termo “Escolhas” também me darei o direito a respeito de vocês, ok? )
Se bem que uma colher de chá há de ser dada, pois até certo ponto, nem o senhor mesmo sabe se crê deste modo ou não. Não tem opinião própria. Esta opção que fez sobre o aborto lhe veio nesse pacote fechado de salvação que foi obrigado a comprar às custas de tua sabedoria, e que não pode de modo algum ser vendida de modo avulso...

Fico perplexo em como são dadas ênfase e atenção à tola excomunhão da equipe realizou o aborto na pequena criança e quase nada é comentado sobre o padrasto ( Um breve “quem deveria ser punido é o estuprador e não as crianças gêmeas...” não é suficiente ). Sabe que entendo um pouco do motivo? É “Maravilhoso” saber que “se ele se arrepender e clamar pelo nome do senhor TEU Deus, ele será salvo...”. Belíssima tua lógica. A criança carrega o fruto da violência máxima e o estuprador ainda tem o direito de se arrepender! Aliás, nada de demais, vindo de quem considera éticos trechos como os de Deuteronômio em que uma mulher estuprada será apedrejada junto ao estuprador caso não grite alto o suficiente a ser socorrida...
E vale lembrar que, quanto mais sofrimento, mais carência. Quanto menos informação e independência, mais férteis são teus campos. Resumindo, vocês lucrariam muito com o prosseguimento dessa gravidez...

Penso que não deve ter crianças sob tua guarda, “Eqüino”. Penso que não sabe do horror de imaginar que uma criatura violenta e insana daquelas, lance um mísero olhar que seja sob alguém por quem você daria sua vida toda! Fico imaginando em um da minha prole na situação daquela garotinha! Estremece-me pensar nisso!

Gostaria de te erguer a pergunta: Onde estava o Teu Deus enquanto aquela “coisa” fazia o que fez com a criança? Os olhos daquele traste não estão em todo lugar? Certo, podemos entender que então, ele é cúmplice de estupro, correto? Mas a lógica do estupro (Físico, Filosófico, Cultural...) como intimidação sempre foi ferramenta fundamental no cristianismo, em toda e qualquer situação de expansão, não é agora que o fato vai incomodar a vocês.
Entendamos, para que de uma vez por todas possamos abolir os excessos, a violência, a escravidão, o estupro...
NÃO HÁ DEUS ALGUM! – Visão de Mundo Minha! - E se escolhe devotar-se a algum, não o empurre goela adentro de outrem do mesmo modo que não aceite que lhe privem do direito de crer no que te convém!

“Os Médicos poderiam ter tratado da menina com tudo o que a medicina tem de recursos...”, Isso, Anta! – As antas haverão de me perdoar! - Um bebê de nove aninhos de idade, que pesa ( pasmem! ) cerca de 36 quilos ( !!!) carregando em seu informe e pequenino ventre a dois fetos! Só na Jerusalém celestial isso poderia ser levado adiante! Vocês sabem que o feto pode viver com cerca de 400 gramas, fora do útero?! Que bom! E sabe também que as ligações entre Tálamo e Córtex são concluídas após a 23ª semana de gestação e há ramos da CIÊNCIA ( “demônio”, em termos cristãos... ) que defendem que dor mesmo só se sentirá após o contato com mundo externo ao útero... Esqueça, quem leia isso aqui agora, daqueles PowerPoint’s tolos que tanto lhe enviam e envia, com aqueles “diários do feto” que vai contando sobre os dias até o dia em que sua mãe lhe aborta. vídeos sentimentalóides - maniqueístas que só promovem a retirada do indivíduo de sua capacidade de decisão, escolha... (“Escolha”, Aquele mesmo termo que preferem ironizar, diminuir o valor, tratar como sinônimo de cinismo... já que liberdade vicia, contagia e logo as pessoas tomariam os rumos próprios de seus dias...).
Em última, última instância mesmo, a continuidade ou não da gravidez fica ao encargo de quem a traz em seu corpo.

Deixo aqui um link com informações um pouco mais consistentes sobre a prática, mas em se tratando de cristãos (por instinto de sobrevivência e autopreservação prefiro generalizar...), certamente darão mais créditos a homens barbudos seminus, sentados em pedras dentro de cavernas, há mais de dois milênios atrás... (Ou a figuras ainda vivas, porém muito semelhantes a eles, como o Arcebispo José Cardoso Sobrinho, que expele pelos poros o quanto é retrogrado e nada tem a acrescentar a ninguém...)
http://pt.wikipedia.org/wiki/Aborto

Antes de encerrar, gostaria ainda de levantar mais uma questão...
Certo, vocês defendem o direito a vida do feto...
Mas então, a usurpação do instinto de buscar o conforto e evitar a dor ( que é o grande sentido da vida ) , viver em famílias, criar suas próprias nações também deveriam ser respeitados a qualquer ser vivente!
Tudo isso que defende sobre o feto é automaticamente aplicado à vida animal, e ainda assim, o senhor se põe a pagar para que alguém aplique uma lâmina fria na goela de um bovino ou suíno, estes que têm tanta inocência em si quanto uma criança. Este ser, indefeso e sem ação, olha nos olhos (Todos os animais fazem isso!) do agressor, chora, se debate, implora com o desespero próprio de uma criança pra que este não lhe faça mal, mas seus gritos de desespero são o mesmo que nada... Por que VOCÊ, defensor da vida, Pagou àquele outro homem um salário ruim, para que ele adoeça psicologicamente e sangre violentamente aquele inocente...
A Pergunta:
Como alguém que eliminou estritamente qualquer derivado de animais de sua vida, te pergunto se sua “defesa da vida” não está um tanto divergente em princípios ( ? ). Ok me devolva a pergunta, se não estaria eu sendo contraditório, então eu te pedirei a ler toda a postagem novamente, a resposta está lá.

No mais, gostaria somente de deixar expresso meu sentimento de arrependimento por ter deixado escapar os trocadilhos com os Eqüinos, que de tão inocentes não merecem semelhante desonra...

Aborto Legalizado Não é o Mesmo que Aborto Obrigatório,
Augusto Miranda..."

http://praiadevomito.blogspot.com/2008/08/legalizado-no-o-mesmo-que-obrigatrio-o.html

27.2.09

Trabalhador rural é executado na Bahia

Um trabalhador rural foi assassinado com um tiro de espingarda nesta quarta (4), no município de Casa Nova, sertão baiano. José Campos Braga, considerado referência na luta pela terra na comunidade de Areia Grande, foi visto pela última vez na sexta (30). Deixa dez filhos.
A comunidade afirma que há duas semanas grileiros tentaram entrar na área. O fato teria sido comunicado à polícia, mas nenhuma providência foi tomada.
De acordo com nota distribuída pela Comissão Pastoral da Terra, mais de 300 famílias vivem na área de uso coletivo chamada de Areia Grande, praticando agricultura e pecuária de subsistência. Desde a década de 80, sofrem ação truculenta e violenta de grileiros, com a conivência do poder público local. Em 2008, segundo a nota, a polícia entrou na área tentando retirar, de modo brutal, as famílias para cumprir uma ordem judicial. Destruíram casas, chiqueiros e currais, roçados e cercados e exigiram a imediata retirada de cerca de 3 mil caixas de colméias de abelhas. Diante desta situação, as comunidades se mobilizaram para a retomada do direito sobre as terras de uso comum. Em 2008, pistoleiros passaram a rondar e fazer ameaças, todas denunciadas à polícia local. No final do ano, finalmente obtiveram o direito de permanecer em suas terras.
Mas a tranquilidade está longe de chegar.
do blog do Sakamoto [ Clicar Título para Link Blog Sakamaoto ]

De Chiapas à Palestina... Subcomandante Marcos

A INVESTIDA DE ISRAEL CONTRA GAZA, "CLÁSSICA" GUERRA DE CONQUISTA: MARCOS.
Hermann Bellinhausen, La Jornada, 05/01/2009.

San Cristóbal de las Casas, Chiapas, 04 de janeiro.

Para os zapatistas, em Gaza há "um exército profissional assassinando
uma população indefesa", disse hoje o Subcomandante Marcos ao dedicar
uma intervenção não-programada à nova guerra em curso.

O penúltimo dia do Festival Mundial da Digna Raiva foi marcado pela
indignação diante do ataque contra a Palestina e a repressão em
Oaxaca, que horas antes havia se repetido com a prisão de 20 pessoas
que participavam de um protesto pacífico contra a invasão em Gaza
diante do consulado dos Estados Unidos.

Nas primeiras horas deste domingo, centenas de participantes do
festival, que se realiza nas proximidades de San Cristóbal, para além
dos subúrbios indígenas de La Hormiga, foram até o centro para
protestar contra a invasão e pedir a libertação dos presos da APPO.
Pelo menos, esta última demanda foi conseguida ontem à noite. A
inusitada marcha com tochas, que saiu da Universidade da Terra, fez
com que os hotéis fechassem as portas e alguns moradores lembrassem da
primeira madrugada de 1994 [dia do levante do EZLN].

Na parte da tarde, Marcos diria: "Não muito longe daqui, num lugar
chamado Gaza, um exercito fortemente armado e treinado, o do governo
de Israel, continua seu avanço de morte e destruição". Uma guerra
"clássica" de conquista. "Primeiro um pesado bombardeio para destruir
os pontos nevrálgicos e abrandar as fortificações da resistência".
Lembrou que na sexta-feira, "no mesmo dia em que nossa palavra se
referiu à violência", Condoleeza Rice declarava que o que acontece em
Gaza era "culpa dos palestinos, por sua natureza violenta".

Afirmou que continua "o férreo controle sobre o que se ouve e se vê"
no mundo, "externo ao teatro de operações", e há "fogo intenso de
artilharia sobre a infantaria inimiga para proteger o avanço das
tropas. Depois o cerco e o sítio à guarnição, e o assalto que
conquiste a posição aniquilando o inimigo".

De acordo com as fotos das agências, acrescentou, "os 'pontos
nevrálgicos' destruídos pela aviação israelense são casas de moradia,
barracos e prédios civis". Então, "pensamos que ou os artilheiros são
ruins de pontaria ou tais pontos não existem. Não temos a honra de
conhecer a Palestina, mas supomos que nessas casas, barracos e prédios
mora ou morava gente, homens, mulheres, crianças e anciãos, e não
soldados".

Talvez, opinou, "para o governo de Israel esses homens, mulheres,
crianças e anciãos são soldados inimigos, e os barracos, casas e
prédios onde moram são quartéis que devem ser destruídos. Com certeza,
os disparos de artilharia que nesta madrugada caiam sobre Gaza eram
para proteger desses homens, mulheres, crianças e anciãos o avanço da
infantaria de Israel e o destacamento inimigo que querem debilitar
nada mais é a não ser a população palestina que vive aí e que o
assalto procurará aniquilar".

Com voz quebrada expressou: "Nossos gritos podem deter alguma bomba?
Nossa palavra salva a vida de alguma criança palestina? Achamos que
sim. Talvez não detenhamos uma bomba, nem nossa palavra se transforme
em escudo blindado", mas, possivelmente, consiga unir-se a outras e
"se torne murmúrio, em seguida voz forte e depois grito que se escute
em Gaza. Todos e todas nós, zapatistas do EZLN, sabemos quanto é
importante ouvir palavras de alento em meio à destruição e à morte".

Quanto ao resto, segundo a análise de Marcos, "o governo de Israel
declarará que infligiu um severo golpe ao terrorismo, ocultará do seu
povo a magnitude do massacre e os produtores de armamentos terão tido
um breve fôlego econômico".

O povo palestino vai resistir, sobreviver e continuar lutando, confiou
o porta-voz zapatista. "Talvez, um menino ou uma menina de Gaza
sobrevivam e cresçam, e com eles cresçam a coragem, a indignação, a
raiva; talvez se tornem soldados ou milicianos, talvez enfrentem
Israel, e, então, lá em cima escreverão sobre a natureza violenta dos
palestinos, farão declarações condenando esta violência e se voltará a
discutir sobre se é sionismo ou anti-semitismo. Ninguém perguntará
quem semeou o que colhe".

29.1.09

Download de "Cético. Séptico ... Distópico..."

"DEGUSTE, FARTE-SE, REGURGITE ... VOLVA AO VÔMITO..."




Disponível para Download, Segundo trabalho Cético. Séptico... Distópico..." , contando com participações de Mané ( Plague Rages ) , Nils ( Agathocles )... + Capas, Wallpapers, Letras...
( Clique na Imagem para download...)
e o Primeiro ,"1.984..." , com capas e letras...( Clique na Imagem para download...)

26.1.09

Vinte reais, 20 minutos...

Como alguns bem sabem, no mês de Dezembro estivemos depositando nosso DNA em latrinas cariocas.
Provavelmente até agora foi um dos momentos mais chocantes para nós, tanto como banda, como individualmente...
Em nossa ânsia por trazer atenções e quaisquer resultados para as nossas amadas periferias, foi inegável a importância que o evento teve pra nós, pois aconteceu na Famigerada Rua Ceará, próximo à Praça da Bandeira...
Nunca escutou a respeito destes lugares? Nunca ouviu a respeito da Vila Mimosa? O Evento aconteceu ao lado dela, pudemos passar por lá, pudemos testemunhar e creio que nenhum relato de nossa parte difere em nada dessa reportagem que segue, autoria de Bernardo Calil, Com foto de Hanspeter Schneider...

( Clique na foto para mais fotos desta viagem e evento... )
"Quando morrer e encontrar Deus, vou dizer para ele: Senhor, conheci o inferno na Terra" - Elizabeth, 52 anos, comerciante da Vila Mimosa há sete

Um assobio e o sono leve se esvaía. “Oi, quer alguma coisa?” A simpatia era surpreendente. “Uma cerveja, por favor”. “Quatro reais”. “Está vazio aqui hoje”. “Pois é, as meninas foram para a casa da Renata, é aniversário dela”. Cinqüenta e dois anos declarados, aparência de 70, magra, não mais do que 1,60m. “Como consegue dormir com esse barulho?” “Acostumada, sete anos aqui”.

A batida do funk carioca, no volume que antecede à loucura, dá o tom em um dos diversos corredores da Vila Mimosa, a mais antiga zona de prostituição do Brasil. As luzes coloridas iluminam a angústia de uns, misturadas ao alívio e à distração de centenas de outros, que circulam diariamente pela famosa rua Ceará, subúrbio do Rio de Janeiro.


Só pela frente



De um lado, casas de dois ou três andares transformadas em clubes privês. No térreo, bebidas e cigarros custam caro. Acima, o local de trabalho se resume a cubículos com uma cama, envoltos por cortinas. Jovens seminuas, encostadas nos portões, observam o movimento dos passantes e aguardam a aproximação. “Vinte reais, vinte minutos, só pela frente”. A resposta é automática.



Na calçada oposta, o comércio se multiplica. Entre um bar e outro, os corredores parecem formigueiros. Na entrada, uma faixa: “A Vila Mimosa condena a prostituição infantil. Proibido menores de 18 anos”. Coletes verdes, usados pelos ambulantes, dizem o mesmo. Dizem que a ordem é seguida à risca. Pelas mulheres.



Travestis não há. Homens humildes, carne fraca, vendem o pão pelo circo. “Início do mês é assim. A rua fica cheia, eles recebem e vêm direto. Depois, se viram do avesso até o mês seguinte”, ironiza dona Beth.



“Quer mais uma?” “Por favor”. Carioca não dispensa uma prosa. “Então são sete anos...” “Infelizmente”. “Por quê”? “Isso aqui é o fim do mundo. Não tem nada pior do que isso aqui”. “Mas então...” “É a necessidade”.



O marido fora assassinado. Era policial. A pensão nunca veio. “Enquanto não sai, preciso desses 600 reais”. O filho mora em Brasília e nem desconfia. “Acha que eu sou doméstica. Se Deus quiser, saio antes de ele saber”.



“Conheci o inferno na Terra”



No maior país católico do mundo, dizem que Ele é brasileiro. Beth discorda: “Quando morrer e encontrar Papai do Céu, vou dizer: Senhor, conheci o inferno na Terra. Outro dia mesmo, um segurança desses que ficam na porta matou um garoto porque olhou para a menina dele. Pe gou e jogou lá no mato, na frente de todo mundo. Isso é todo dia”.



Depois de olhar ao redor, conclui: “Podia ser eu”. Um riso seco. “Quantos anos você tem”? “Segredo”. Um riso aberto: “Eu tenho 52”. “Não deveria estar aqui”. “Nem você”.



Beth não é exceção. Nem unanimidade. “Estar aqui me distrai”. Vanessa trabalha há nove anos na Vila Mimosa. Mora longe, não é sempre que vai para casa. “Tenho que sustentar minha filha”. A liberdade é atraente. “Copacabana nem pensar. Cobra 100 para ficar com metade, dar o resto na mão dos donos. Aqui peço 20, mas tudo que eu ganho é meu e eu vou embora quando quiser”.
Por isso, é difícil dizer o número exato de profissionais. O movimento é constante, dia e noite. Não há folga ou feriado. “Acho que desde que isso aqui existe, tem alguém comendo alguém”.



Fugindo da guerra



A Vila Mimosa é quase centenária. Nasceu com o desembarque de mulheres do leste europeu em fuga da Primeira Guerra. Pobres e sem os maridos. O primeiro local foi a Zona do Mangue, próxima à atual avenida Presidente Vargas, no centro do Rio. Daí a designação “zona” aos prostíbulos.



As polacas, como eram conhecidas, misturaram-se às nativas ao longo dos anos, até desaparecerem. Foram perseguidas e mudaram quase uma dezena de vezes de logradouro, à medida que a cidade se modernizava. Acharam abrigo no limite pobre da alameda, escondidas sob os trilhos dos trens suburbanos, onde havia uma vila. O nome pegou.



A guerra acabou, mas a fuga não. “É um trabalho como qualquer outro. Está difícil para todo mundo”, justifica Vanessa . A boemia, como o mundo, virou negócio. “Trinta e quatro casas aqui são do mesmo dono, quase metade”. Depois do desabafo, o protesto: “Está perguntando demais já. Dinheiro que é bom nada”. Tempo, todos sabem o que é.



As Beths e Vanessas se juntam dia após dia às Joanas e Patrícias e Manoelas da Rua Ceará. A máquina não pára de girar, como os ponteiros do relógio. Mas as noites na Vila Mimosa continuam durando mais do que as outras.



O boteco estava vazio naquela noite. Na escada, uma jovem passava desodorante seco nas axilas, indiferente aos dois ou três rapazes que bebiam cerveja do lado de fora, sentados à mesa de alumínio. O som dos vizinhos ensurdecia. Músicas sobrepostas, incompreensíveis. Dona Beth dormia sentada atrás do balcão, como se o tempo passasse mais rápido. O dia terminaria dali a poucas horas, assim que o sol mostrasse, mais uma vez, o caminho de casa.

22.1.09

...Memórias dos Primeiros Passos...

Sei que não é tão agradável para todos quanto é para nós e para mais uma meia dúzia de pessoas, mas foi muito legal encontrar os restos de uma cartaz do primeiro evento...


O do dia 30 de Julho de 2006...

Frio feito a Sibéria e famintos feito o Brasil...

Éramos o "Blandina", O "Four Faces" agora era o "Demasi" que logo voltaria a ser o "Four Faces" e dalí a pouco se tornaria o "Afronte"...

O Evento foi no antigo "CEFAM"... ( ainda considero muito mais digno toacr numa escola do que num bar...)

(cartaz original...)


Nós tocamos 15 Músicas ( em menos de Sete Minutos [ ! ] )... Minha pressão abaixou bastante de tanta fome e frio... (risos)
( E logo abaixo na foto, "Você aluga um vestido e ganha uma lingerie!" Aproveita! )
As musicas desse primeiro evento foram:

"MEFÍTICOS... "

"APOSTÓLATRA... "(PT 1 )
"APOSTÓLATRA..." (PT 2 )
"APOSTÓLATRA..." (PT 3 )
"PRIMITIVO..."

"ATROZ... "
"ARENA..."

BURIED ALIVE BY SOCIETTY’S GREED ( cover de Empty Grave [?] )

"AO CORAÇÃO DA ENCRUZILHADA... '
"ANTI MÚSICA... "

"RAQUEL, RAQUEL... "
"7 X 02..." ( que mais pra frente se tornaria "Extinção Humana Voluntária...")


INMUNDO ( cover de Empty Grave [?] )
"ARENA ..."
"PRIMITIVO ..."
"MEFÍTICOS ..."


///

Também encontrei na net esse flyer do rimeiro evento no Espaço Impróprio, o Show de Bebê ( Beneficente pelo nascimento da Filhona do Henrique D.E.R. )...



Muito Boas lembranças desses dois dias importantíssimos pra nós...

5.12.08

Noise terror | 30.11.08 | Jabaquara

...Festival Unindo Forças [ II ]...
...Agradecimentos totais ao Grande Brother, Nick, pelas Fotos...




Mussum de Vômito...

( /// )

Pulmonary Fibrosis + Attack of Mad Axeman + Plague Rages

...Mortos Vivos, Proletários e Animais Insurgentes...
Em 23 de Outubro de 2008, O Espaço Imporóprio recebeu as bandas Plague Rages ( Bra$il...), Pulmonary Fibrosis ( França ) e The Attack of The MAd Axeman ( Alemanha )... E uma meia dúzia de pessoas, além das bandas, esteve lá pra presenciar esse momento único! Pena, para as bandas, mas uma jóia, pra gente que esteve por lá!
















Esquerda para Direita:
Guyome ( Pulmonary ), Mané ( Plague Rages ), Augusto ( PxDxV ) e Yanosh ( Pulmonary )









"The Attack..." da Alemanha, Ao Vivo!

Augusto + Schildkröte freund, Nils!!!

(Augusto+Amigo Tartaruga, Nils!!!)

2.12.08

Subcomandante Marcos, 28 de Março de 1994

da página na Wikipédia...

O comunicado abaixo do subcomandante de 28 de março de 1994 explica o porquê de esconder os rostos e porque todos os zapatistas dizem que se chamam "Marcos":

"Marcos é gay em São Francisco, negro na África do Sul, asiático na Europa, hispânico em San Isidro, anarquista na Espanha, palestiniano em Israel, indígena nas ruas de San Cristóbal, rockero na cidade universitária, judeu na Alemanha, feminista nos partidos políticos, comunista no pós-guerra fria, pacifista na Bósnia, artista sem galeria e sem portfólio, dona de casa num sábado à tarde, jornalista nas páginas anteriores do jornal, mulher no metropolitano depois das 22h, camponês sem terra, editor marginal, operário sem trabalho, médico sem consultório, escritor sem livros e sem leitores e, sobretudo, zapatista no Sudoeste do México." Enfim, Marcos é um ser humano qualquer neste mundo. Marcos é todas as minorias intoleradas, oprimidas, resistindo, exploradas, dizendo ¡Ya basta! Todas as minorias na hora de falar e maiorias na hora de se calar e agüentar. Todos os intolerados buscando uma palavra, sua palavra. Tudo que incomoda o poder e as boas consciências, este é Marcos."

A METAMORFOSE - Em Quadrinhos

A METAMORFOSE
...da Obra de Franz Kafka, ilustrado por Joe Kuper...





“E AGORA, GREGOR? E SEU TRABALHO?”

"E SUAS DÍVIDAS???"

Se deu alguma atenção a essas poucas páginas de autoria de Kafka e Kuper, e que algum filho de Deus escaneou e despejou na rede ( qual deus?! não é essa a questão... ), então, provavelmente, você também é algum Winston Smith ou Gregor Samsa da vida...

Por razões óbvias não foram postadas todas as páginas ( 81... ) , mas caso tenha algum interesse em ver como acaba a saga de Gregor, escreve pra gente (
praiadevomito@gmail.com ), já temos tudo anexado e pronto pra enviar, serão três e-mails, e vai ser um prazer receber seu contato, e claro, colaborar com a pirataria!

Bem, os “Gregor Samsa da Silva” agora também podem!...

Tem valor?! Copie!