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29.11.09

Uniban: a espetacular fábrica de canalhas

Manifestação dos Alunos Uniban São Bernardo do Campo.
Escrito na placa: "A instituição é séria";
"Ela mancha a imagem de todos os alunos";
"Puta, Puta, Puta"
Uniban: a espetacular fábrica de canalhas
por Mauro Carrara, em 07 de novembro de 2009
Em anúncios publicados nos jornalões paulistas de 8 de Novembro, a Universidade Bandeirante (Uniban) anuncia que decidiu expulsar a aluna Geisy Arruda.
A estudante de Turismo sofreu bárbaro assédio coletivo no dia 22 de Outubro, na unidade de São Bernardo do Campo. O motivo: trajar na ocasião um vestido curto, num tom cereja.
O texto publicado pela Uniban deve converter-se imediatamente em peça de estudo para juristas, educadores, antropólogos e sociólogos.
A universidade preferiu punir a vítima e inventar uma justificativa pitoresca para o espetáculo do bullying, registrado por câmeras dos próprios alunos e vergonhosamente exposto ao mundo pelo Youtube.
Segundo os negociantes da educação, "a atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar".
Seria cômico se não fosse trágico. A Uniban, mais uma das uniesquinas do Brasil, considera "defesa do ambiente escolar" a agitação do bando que ameaçava estuprar a colega e que a perseguiu aos gritos de "puta, puta, puta".
Alheia a valores e princípios, a Uniban pautou-se unicamente pela doutrina da preservação do lucro. Expulsou a mocinha da periferia e manteve as centenas de vândalos que a molestaram.
Defendeu, assim, a receita, a contabilidade, mesmo sob o risco de macular para sempre sua imagem.
Em "Psicologia das Multidões", Gustave Le Bon refere-se com clareza ao fenômeno da sugestão em movimentos de multidões.
Diz ele: "Os indivíduos de uma multidão que possuem uma personalidade bastante forte para resistirem à sugestão são em número tão diminuto que acabam por ser arrastados pela corrente".

Le Bon lembra que, em determinadas situações, a multidão transforma o indivíduo civilizado num bárbaro, num ser primitivo, movido pelo instinto, que vibra com o ataque ao inimigo inferiorizado.
Poucas vezes se viu isso tão claramente quanto no episódio de 22 de Outubro. Há garotas inconformadas com a sina; afinal, não têm o corpão de Geisy. Há machões conquistadores não correspondidos, movidos pelo instinto de vingança. Por fim, a turba ignara que se diverte com a perseguição, algo muito semelhante à farra do boi.
A curvilínea e voluptuosa Geisy, que concedeu entrevistas aos programas televisivos vespertinos, exibiu-se no mesmo vestido que gerou a fúria de seus colegas de universidade.
Nada formidavelmente pecaminoso como se poderia imaginar. Aliás, fosse ela mirrada e poucos notariam a ousadia de suas vestes.
Esses aspectos objetivos da questão foram ladinamente desconsiderados pela direção da universidade.
Em nome do "negócio", a Uniban preferiu investir na fabricação de canalhas.
A decisão funciona como um sinal verde para os moralistas cafajestes de todos os tipos. Esse incentivo criminoso, pois, não se limita aos clientes da instituição, mas ao conjunto dos estudantes brasileiros.
Paulo Freire, costumava advertir os educadores com a seguinte frase:
"Conhecer é tarefa de sujeitos, não de objetos. E é como sujeito, e somente enquanto sujeito, que o homem pode realmente conhecer".
No caso em debate, a Uniban fez exatamente o contrário. Desprezou o sujeito, deseducando- o. Concomitantemente, priorizou o objeto, isto é, seu negócio, o prédio iluminado vendedor de diplomas.
Dessa forma, trocou todas as regras da civilidade por um repugnante código de carceragem.
O episódio Geisy revela a decadência do ensino universitário brasileiro, transformado em oportunidade de mercado. Essa é a herança do regime militar e dos governos conservadores que o seguiram, sobretudo aquele do privateiro Fernando Henrique Cardoso.

Ironicamente, o bajulado professor uspeano de tudo fez para esculhambar o ensino público de qualidade, entregando o sagrado ofício da educação às máfias dos certificados e aos traficantes de títulos acadêmicos.
Tempos de provação. E, como formigas, os canalhas saem aos montes dessas instituições, prontos a divinizar o pensamento neoliberal e a Lei de Gérson, seduzidos à barbárie por diversão.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/mauro-carrara-uniban-a-espetacular-fabrica-de-canalhas/


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16.11.09

Honduras abala a Doutrina Monroe...

Matéria extraída da (ótima) edição de outubro da Caros Amigos (a quetem o Ferréz na capa)



Por José Arbex Jr.


A “crise de Honduras” sintetiza e ilumina um momento histórico ímparna história mundial. Pela primeira vez desde 1823, quando James Monroeformulou a doutrina que leva o seu nome (“a América para osamericanos” - quanto, de fato, tinha em mente “a América para osestadunidenses”), Washington, nitidamente, perdeu o controle e ainiciativa sobre os desenvolvimentos políticos e sociais na AméricaLatina e no Caribe.


O papel assumido pelo Brasil, nesse quadro, tem dimensão explosiva: emnome dos princípios democráticos que devem nortear a relação entre osEstados, o governo brasileiro não se limitou a “condenar” o regimegolpista, nem se contentou com sanções limitadas. Isso pode inauguraruma nova etapa na relação do Brasil com a comunidade mundial dasnações, e abrir o caminho para novos desdobramentos democráticos naAmérica Latina.


Exagero? Excesso de otimismo? Precipitação na análise política?Dificilmente. Vamos aos fatos:1. A América Latina e o Caribe tornaram-se mais importantes do quenunca para os Estados Unidos, após o fiasco no Iraque e noAfeganistão. Não “apenas” porque as reservas estratégicas de petróleoestadunidenses estão esgotadas, mas também por tudo o que representa aAmazônia em termos de reservas de petróleo, biodiversidade, minerais e água.


2. Apesar disso, Washington fracassou em todas as suas tentativasrecentes de “eliminar os obstáculos” ao seu controle da região. Nãoconseguiu tirar Hugo Chávez do poder, no golpe desferido em abril de2002; fracassou ao tentar fabricar uma guerra civil para eliminar ogoverno de Evo Morales, em 2008; e, talvez mais humilhante ainda: aotentar prolongar o acordo que permitia o funcionamento da base militarde Manta, no Equador, teve que aceitar o tapa na cara desferido porRafael Correa (o presidente equatoriano respondeu que, sim, topariarenovar o contrato, se os Estados Unidos admitissem a instalação deuma base militar equatoriana na Flórida!).


3. O golpe em Honduras se inscreve nesse quadro geral. Os golpistashondurenhos conseguiram, momentaneamente, aquilo que os demaistentaram sem sucesso. Acreditar que as oligarquias hondurenhasarquitetaram o golpe sem o conhecimento da embaixada dos EstadosUnidos é prova suprema de ingenuidade ou má fé (ou uma mistura dosdois). O embaixador estadunidense em Tegucigalpa foi colocado no cargopela turma de George Bush filho. É partidário incondicional daDoutrina Monroe. É até possível que Barack Obama tenha sido pego desurpresa, mas jamais os serviços secretos dos Estados Unidos. Emqualquer hipótese, é bastante óbvio que Washington, por mais que tenhacondenado o golpe, não ficou nada feliz com a adesão do presidentedeposto Manuel Zelaya à Alba e ao Petrocaribe.


4. Barack Obama emite sinais contraditórios e incoerentes, o que é umaprova de falta de um plano estratégico para enfrentar a situação. Oufalta de força para aplicar de forma coerente e decidida umaestratégia qualquer. De um lado, Obama proclama “o fim da era em queos Estados Unidos davam as cartas” na América Latina. De outro lado,prolonga o boicote econômico a Cuba, mantém o Plano Mérida para oMéxico e para a América Central, e o de instalações de bases militaresna Colômbia.


5. Mas Obama enfrenta uma inédita demonstração de resistência ereprovação por parte da imensa maioria dos governos latino-americanos.É nesse ponto que ganha grande relevância o papel assumido peloBrasil. Nos últimos meses, o presidente Luís Inácio Lula da Silvaemitiu claros sinais de uma “virada à esquerda” na política externa.Ao anunciar a descoberta do pré-sal, por exemplo, denunciouimediatamente os movimentos da Quarta Frota dos Estados Unidos(encarregada de “vigiar” os mares da América Latina e do Caribe),estabelecendo um nexo entre as coisas. Depois, Lula demonstroupreferência pelos aviões de guerra da França, sob alegação de que aestadunidense Boeing não transfere tecnologia. Em seguida, Lulacondenou o prolongamento do bloqueio a Cuba e declarou a intenção deinterpelar Barack Obama sobre o assunto. Finalmente, o Brasil acolheuManuel Zelaya como presidente legítimo de Honduras.


José Arbex Jr. é jornalista



Para ler o artigo completo e outras reportagens confira a edição deoutubro da revista Caros Amigos...





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Santa Blandina...



Alguém vai entender o motivo da postagem desta gravura...






'Santa Blandina' por Jan Luyken - 1660, Amsterdam...





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Três links para a Uniban de São Bernardo do Campo...


(clique nos links em suas respectivas palavras)

Aos estudantes do curso de misoginia
da UniBan de São Bernardo do Campo:

FODAM-SE...

Pichação em frente À uniban SBC


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OS CEGOS Juízes das cores [Voltaire...]

[Voltaire, em “O Filósofo Ignorante”]


Nos começos da fundação dos Quinze-Vingts, sabe-se que eles eram todos iguais e que os seus pequenos negócios se decidiam na pluralidade das vozes. Distinguiam perfeitamente, pelo tato, entre a moeda de cobre e a de prata; nenhum deles jamais bebeu vinho de Brie por vinho de Borgonha. Seu olfato era mais fino que o de seus vizinhos que tinham dois olhos. Raciocinavam perfeitamente sobre os quatro sentidos, isto é, conheciam eles tudo o que é permitido saber a tal respeito; e viveram pacíficos e afortunados tanto quanto Quinze-Vingts podem sê-lo. Infelizmente um de seus professores pretendeu ter noções claras sobre o sentido da visão; ele se fez escutar, intrigou, formou entusiastas: enfim, reconheceram-no como chefe da comunidade. Pôs-se a julgar soberanamente as cores, e tudo se perdeu.
Esse primeiro ditador dois Quinze-Vingts formou a princípio um pequeno conselho com o qual se tornou o senhor de todas as caridades. Por esse meio ninguém ousou resistir-lhe. Decidiu que todos os hábitos dos Quinze-Vingts eram brancos: os cegos acreditaram; não falavam senão de seus belos hábitos brancos, conquanto não houvesse um só dessa cor. Todo mundo zombou deles, e eles foram queixar-se ao ditador, que os recebeu muito mal; tratou-os de inovadores, de espíritos fortes, de rebeldes, que se deixavam seduzir pelas opiniões errôneas dos que tinham olhos e que ousavam duvidar da infalibilidade de seu senhor. Essa querela formou dois partidos. Para apaziguá-los, o ditador promulgou um decreto pelo qual todos os seus hábitos eram vermelhos. Não havia um só hábito vermelho nos Quinze-Vingts. Zombaram deles mais do que nunca: novas queixas da parte da comunidade. O ditador ficou furioso, os outros cegos também: por muito tempo se combateu, e a concórdia só se restabeleceu quando foi permitido a todos os Quinze-Vingts suspender o seu juízo sobre a cor de seus hábitos.

Um surdo, ao ler esta historieta, confessou que os cegos tinham errado ao julgar as cores; mas manteve-se firme na opinião de que cabe unicamente aos surdos julgar a música.


PS: Agradecimentos a Camila 'Lorelei' pela ótima indicação...

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28.10.09

Represa Billings em 16 de outubro, 2009...


O Praia de Vômito é fã número um de muitas pessoas,
dentre elas a "Gijah", que foi quem bateu essa foto bacana na represa Billings, em São Paulo...
Obrigado!
"Tudo nasce para morrer.
Não existe nenhuma mulher-espírito nas árvores.
Não existe nenhum deus abaixo da terra.
Onde estaria um deus que nos abate com o veneno de uma abelha esmagada?
Que nos coloca neste lugar e depois inunda as plantações até não haver o bastante para nos alimentar?
Derrama cinzas dos céus e cega nosso gado?
Se esses são os deuses, eles têm um passatempo esquisito.
Não são deuses que nos recebem,
além dos túmulos,
apenas

vermes."

[apanhado de frases de "A Voz do Fogo", por Alan "O cara" Moore]
Agradecimento especial à "Gisely - Gijah"...

"Presente, Agora e Sempre..." [MTST]

No dia 28 de outubro de 2009 uma garoa gelada acertava o rosto de uma pequena multidão, no começo da tarde, em frente à prefeitura de Itapecerica da Serra.A insensibilidade da gestão atual promovia o mesmo efeito congelantenos corações destas famílias - mulheres, crianças, homens - componentes do MTST instigados pelas promessas feitas em período decampanha eleitoral, com bases no anseio popular de respeito,dignidade...
Os gritos foram lançados ao ar, o frio da garoa se dissipou, deu lugarao suor de trabalahadores.A insensibilidade terá de retroceder.
Aos heróis da vida real, não há muito que possamos fazer daquí,mas seguem nossas sinceras homenagens...

"A queda da máscara e o aparecimento dos contornos do conflito de classes. Ignorância e silenciamento mantidos pelos gases nas gargantas. Apagando os gritos, amordaçando os discursos, acorrentando os pensamentos. Um luta imediata que enxerga adiante o projeto histórico da classe trabalhadora.
Colocam-se os corpos, frente ao avanço neoliberal. Assaltos aos direitos são respondidos pela expropriação através de mãos calejadas hasteadas ao alto."

"Catraca" - por Ayat Akrass, em
"Como Uma Tela Pintada Com Nosso Sangue"




. . .

18.10.09

Eles brincam...!

Não sei bem o quanto essa informação vale pra você.

Não sei o que vai fazer dela, e se, de fato, fará algo com ela...

Não sei quanto a todas as outras espécies,
mas os mamíferos,

Esses, dos quais fazemos parte,

Em geral, todos os mamíferos
[E não me recordo agora de alguma exceção...],

Brincam


...











para mais informações, um artigo bem legal, pode clicar neste link.

ou
neste aqui.

Neste aquí não.

O LOUCO ( Khalil Gibran )

Perguntaste como me tornei louco. Aconteceu assim:
Um dia, muito tempo antes de muitos deuses terem nascido,despertei de um sono profundo e notei que todas as minhasmáscaras tinham sido roubadas – as sete máscaras que eu haviaconfeccionado e usado em sete vidas – e corri sem máscara pelasruas cheias de gente gritando: “Ladrões, ladrões, malditos ladrões!”Homens e mulheres riram de mim e alguns correram para casa,com medo de mim.E quando cheguei à praça do mercado, um garoto trepado notelhado de uma casa gritou: “É um louco!”
Olhei para cima,para vê-lo.
O sol beijou pela primeira vez minha face nua.Pela primeira vez, o sol beijava minha face nua, e minha almainflamou-se de amor pelo sol, e não desejei mais minhas máscaras.E, como num transe, gritei: “Benditos, benditos os ladrões queroubaram minhas máscaras!”
Assim me tornei louco.
E encontrei tanto liberdade como segurança em minha loucura:a liberdade da solidão e a segurança de não ser compreendido,pois aquele que nos compreende, escraviza alguma coisa em nós.
Gibran Khalil Gibran

O Público Recebe ( o que o público merece...)

“O papel da televisão é a ilusão da companhia, o ruído. Eu chamo-lhe a quinta parede e a segunda janela: a janela da ilusão”.

Mumia Abu-Jamal

No Artigo “I spend my days preparing for life, not for death” para o “The Guardian”.
Em 25 de Outubro de 2007


Nessa altura do campeonato creio que nada que se diga a respeito de televisão seja original. Se relevante ou não, é um outro ponto e muito relativo. Não penso que este aqui seja exatamente relevante. Mas entre um atendimento e outro aqui, nessa repartição pública em que trabalho senti a necessidade de dividir uma frustração com quem quer que possa vir a ler essa página de blogspot.
Hoje, dia Cinco de Outubro de 2009, enquanto me arrumava para rumar a meus afazeres, passei em frente à televisão e confesso que me espantei, não com a violência em si, com a gratuidade ou coisa que se nivele a toda essa falta de novidade. Imagino que tenha ocorrido ontem, uma van com nove passageiros capotou em sentido São Paulo-Minas Gerais... Uma equipe da rede Record que estava pela imediação, de prontidão, chegou ao local com câmeras em punho, bem antes mesmo das equipes de resgate.
Incrível, incrível a falta de respeito conotada pela equipe [bem como pela equipe responsável pela edição e todos os restantes], em que todos os passageiros, recém atirados van afora foram filmados, mostrados sem nenhuma censura ou pudor.

Pessoas ensanguentadas, tremulas, recorrendo aos seus aparelhos celulares, assustados.
O sangue frio que corre na veia da trupe de Macedo negou até mesmo aqueles quadriculadinhos de preservação da identidade.
Julgando pelos ângulos e tipos de closes em pessoas desacordados espalhadas pela pista, penso que aquela mesma equipe deve ter dado graças aos céus, pelo ganha-pão que tinham ali em frente de si.
Família, ninguém ali deveria ter. Ou, se tivessem, isso não importava à equipe.
Só uma impressão, ou de repente caiu em esquecimento aquela propagando do “você acredita em Deus? – Então você acredita em milagres...” (e a florzinha desabrocha, as nuvens que se movimentam num uníssono sobre montanhas...) Mas agora... Isso. O desrespeito incondicional faminto por audiência – audiência que por fim, teve!

A imagem de serenidade substituída pela de desastre, conforme uma das duas venha a vender no momento exato...

Acho que a falta de respeito, por parte do que se apanha na tevê, também está bem representado naquele “CQC”. Começaram por aqui criando algum status com a coisa toda do embate moral à Brasília, e logo, bem logo, estavam numa posição extremamente “confortável” como, por exemplo, em um “Momento Top Five” em que Renato Aragão ao deixar o estúdio do programa de Ana Maria Braga acerta com a cabeça numa vidraça (*) e então um dos apresentadores solta a pérola: “... e eu não sei como a vidraça aguentou, porque o Didi tem cabeça de cearense...” (a ênfase é minha). Para mim, uma ultima gota. Nem por curiosidade mais, não parei pra ver nada mais por ali. Já estava entristecido com a atitude da maior parte das pessoas no caso do twitter de Danilo Gentili - confesso que principalmente nesses segmentos de tendência mais subversiva ou, se preferir assim, “underground”... Passamos tanto tempo combatendo a mídia em nossas músicas, nossos fanzines, nossos eventos e agora... Isso. Não temos a coragem de apontar a mira de nosso discurso contra algo pelo qual temos alguma simpatia.
Não mais mordemos a mão que alimenta...

Tudo isso não significa que não assista mais em nenhum momento à televisão, de forma alguma. Imagino ser necessário conhecer, saber do que se enfrenta. Mas o CQC que se dane.
O título deste texto é uma citação a um título dos britânicos do Napalm Death. Sei que é bem óbvio esse negócio de citar letras de grandes bandas, sei. A tradução da deles é “O Público recebe (o que o público não quer)”. Mas neste aportuguesamento do título a alteração é necessária. Se temos uma mídia estúpida como em poucos cantos, se temos governos que vão de ruim a pior, tudo isso é a medida exata do povo. E dói constatar isso.
Mas as grandes tevês só mostram o que o povo quer ver, assim como o povo tem o governo que lhe agrada. Se não agradasse, sairíamos pelas ruas, faríamos as exigências que acordamos em conselho prévio e auto-organizado, e se não atendidas, gritaríamos mais e mais alto. E se fosse necessário até destruiríamos delegacias e centros de transmissão da Globo, Record e semelhantes; tombaríamos carros de ricos e os atearíamos fogo, temeríamos à miséria mais do que à morte e até morreríamos tentando derrubar um governo...
Quanto à televisão o apertar de um botão já resolve muita coisa.


(*) Em que ponto nos tornamos tão tolos que passamos a achar “entretenimentos” do tipo “Vídeo Cassetadas” e “Câmeras Escondidas” engraçados???

3.10.09

Herida de Guerra... Musica en Ataque Al Sistema Capitalista...

Lançamento...
Já fazia alguns dias que nada lançavamos.

Compilação pelo selo colombiano "Distribuye y resiste"...


Segue link para download ( logo teremos cópias em mãos )...


...Costa Rica, Argentina, Brasil ( Praia de Vômito + Atestado de Revolta ), Peru, Chile, Colômbia, Porto Rico, Uruguay, México e Espanha...


Letras, fotos, belo acabamento, uma ótima oportunidade para conferir várias bandas que não circulam tanto por aquí...

4.9.09

Parabéns,Heliópolis!

A Ana Cristina,o descanso das casualidades...
foto: ( a merda d' ) O Globo...

Enquanto os guardas municipais Luziel Pereira da Costa (48), Vicente Pereira Passos (45) e Édson Damião Estevam (43) - que inclusive foi expulso da PM de São Paulo em 1997 por motivos perdidos no "limbo do Arquivo Morto" do 8º Batalhão da Polícia Militar, Tatuapé. - eram submetidos à "acompanhamento psicológico" a família de Ana Cristina ( a mãe e a filha de um ano e oito meses, todas moradoras de abrigo provisório, à espera de seu apartamento de CDHU, mais o companheiro... ) guardava seu luto.



A Imprensa, esperançosamente agarrada à possibilidae dos disturbios do início de setembro de 2009 terem sido instigados por promessas de cestas básicas aos participantes através de panfletos, ignora que isso não tornaria a força policial em herói da vez, nem tornaria a população mais execrável.



E não dilui a justificativa da ira da multidão de heliópolis.



Ana Cristina de Macedo, 17 anos de idade. Nascida no campo de batalha...


"Tudo se foi, tudo acabou...


Portanto, ergam-me sobre a pira...


O Banquete terminou,


e as luzes se apagam..."



("Nascido no Campo de Batalha...")

10.8.09

TRÊS ANOS NO SUBSOLO DA PIRÂMIDE...


Nesse dia 30 de Julho completamos três anos de atividades como Banda.A labuta foi algo de cansar só de pensar nela; intempéries que não saberiamos te listar...mas nada que não faríamos de novo e até com mais desgaste...


Gozado pensar que há três anos atrás,por essas horas, da tarde, estávamos com o cu na mão aguardando o horário de nossa apresentação ( A primeirona! ),provavelmente havia acontecido a queda de algum grande avião por aqueles dias,cheio de passageiros, e estava um frio que de lá até aqui, creio só ter encontrado par por essas últimas semanas; não me recordo da morte de ninguém tão célebre quanto o caçula dos Jacksons, e estávamos com muita, mas muita fome. Não havia nenhuma epidemia em desenvolvimento por aqueles dias - redijo isso como se a aids por si só não fosse suficiente, mas embora não anunciada, a sensação de abismo financeiro era latente e,por que não, comum(?), do jeitinho que está agora...( alguns de nós trabalhando por salários incomentáveis, enquanto os que não conseguiam vender sua força de trabalho, em detrimento de sua força vital, se queixavam de não encontrar um senhor para lhe chibatar os lombos lhe dar ordens, fazer produzir e voltar pra casa com o suficiente só pra retornar respirando no dia seguinte...); As escolas não funcionavam bem, e estavam até fechadas, mas hoje, três anos depois, podemos dar a desculpa de que é pra evitar a propagação da gripe assassina...


Praqueles níveis de frio, até espantou o número de pessoas que compareceu no Cefam - Asa Branca, e sendo sincero dum modo difícil de entender por muitos que se esquentam via oral com algo alcoólico, o Augusto ainda hoje,insiste que "Escolas é que são o lugar certo pra se fazer shows, reunir gente, e não em bares, já que o evento ali além de promover a espontaneidade à dependencia em muitos 'meninos e meninas pré-púberos e púberos todos impressionáveis' e buscando algum rebanho pra se acalentar, ainda enche o rabo do dono do bar de dinheiro..."( Por ora, só adicionamos aqui que o mesmo se aplica às igrejas )... Acho que ainda consta lembrar que há três anos atrás, se via meninos e meninas reclamando da escola que tinham sem se dar conta muito ao certo de que dali pra frente, só pioraria... Bem... ao seu modo ( um modo muito triste, por sinal ) eles viviam "os seus próprios dias áureos..."


Óbvio que estamos mais melancólicos do que realmente transparece aqui...


Estamos muito felizes com a gravação mais recente, treze faixas que compõem o "MONDO FAVELA..." [ ou "O Povo do Abismo..." ], e que deverá sair em breve,em split com os padrinhos do plague Rages , e com os brothers lá de lonjão, na Sérvia, das bandas Downtrodden e Acroholia...


Algumas faixas já estão disponível em nossa página de Myspace ( http://www.myspace.com/praiadevomito ) e seria uma honra muito grande se pudesse dar uma passadinha por lá. Se tiver uma conta ( ou mais de uma conta! ) no myspace, nos adicione,vai ser uma honra maior ainda ( e quem nos contacta pode responder por nós, no tocante a mantermos contato!!! ), se não for pedir muito dá uma olhadinha também em nossa página de blog ( http://www.praiadevomito.blogspot.com ) temos postado algumas coisas por lá, bem legais até, e também pra conferir eventos e lançamentos em nossa página de fotolog ( http://www.fotolog.com.br/praiadevomito )...


Na foto, tirada na segunda-feira, 27 de Julho de 2009, de inverno rigoroso em São Paulo, Silas e Douglas em estúdio com Greg, de "Todo Mundo Odeia o Chris"...


(risos), óbvio que é só uma brincadeira.


Grande pessoa, o Rian do Estúdio MK.Na medida do possível amamos a todos, a todos um beijão.


Praia de Vômito.


PS: Procurem por "MONDO FAVELA..." por aí, ok?

1.8.09

Diante da Lei - Franz Kafka

Diante da Lei está um guarda. Vem um homem do campo e pede para
entrar na Lei. Mas o guarda diz-lhe que, por enquanto, não pode autorizar lhe
a entrada. O homem considera e pergunta depois se poderá entrar mais tarde.
— "É possível" – diz o guarda. — "Mas não agora!". O guarda afasta-se então
da porta da Lei, aberta como sempre, e o homem curva-se para olhar lá dentro.
Ao ver tal, o guarda ri-se e diz. — "Se tanto te atrai, experimenta entrar,
apesar da minha proibição. Contudo, repara sou forte. E ainda assim sou o
último dos guardas. De sala para sala estão guardas cada vez mais fortes, de
tal modo que não posso sequer suportar o olhar do terceiro depois de mim".
O homem do campo não esperava tantas dificuldades. A Lei havia de ser
acessível a toda a gente e sempre, pensa ele. mas, ao olhar o guarda envolvido
no seu casaco forrado de peles, o nariz agudo, a barba à tártaro, longa, delgada
e negra, prefere esperar até que lhe seja concedida licença para entrar. O
guarda dá-lhe uma banqueta e manda-o sentar ao pé da porta, um pouco
desviado. Ali fica, dias e anos. Faz diversas diligências para entrar e com as
suas súplicas acaba por cansar o guarda. Este faz-lhe, de vez em quando,
pequenos interrogatórios, perguntando-lhe pela pátria e por muitas outras
coisas, mas são perguntas lançadas com indiferença, à semelhança dos grandes
senhores, no fim, acaba sempre por dizer que não pode ainda deixá-lo entrar.
O homem, que se provera bem para a viagem, emprega todos os meios
custosos para subornar o guarda. Esse aceita tudo mas diz sempre: — "Aceito
apenas para que te convenças que nada omitiste". Durante anos seguidos,
quase ininterruptamente, o homem observa o guarda. Esquece os outros e
aquele afigura ser-lhe o único obstáculo à entrada na Lei.
Nos primeiros anos diz mal da sua sorte, em alto e bom som e depois, ao
envelhecer, limita se a resmungar entre dentes. Torna-se infantil e como, ao
fim de tanto examinar o guarda durante anos lhe conhece até as pulgas das
peles que ele veste, pede também às pulgas que o ajudem a demover o guarda.
Por fim, enfraquece-lhe a vista e acaba por não saber se está escuro em seu
redor ou se os olhos o enganam. Mas ainda apercebe, no meio da escuridão,
um clarão que eternamente cintila por sobre a porta da Lei. Agora a morte esta
próxima. Antes de morrer, acumulam-se na sua cabeça as experiências de
tantos anos, que vão todas culminar numa pergunta que ainda não fez ao
guarda. Faz lhe um pequeno sinal, pois não pode mover o seu corpo já
arrefecido. O guarda da porta tem de se inclinar até muito baixo porque a
diferença de alturas acentuou-se ainda mais em detrimento do homem do
campo.
— "Que queres tu saber ainda?", pergunta o guarda. — "És insaciável". —
"Se todos aspiram a Lei", disse o homem. — "Como é que, durante todos
esses anos, ninguém mais, senão eu, pediu para entrar. O guarda da porta,
apercebendo se de que o homem estava no fim, grita-lhe ao ouvido quase
inerte. — "Aqui ninguém mais, senão tu, podia entrar, porque só para ti era
feita esta porta. Agora vou me embora e fecho-a".


Tradução de Modesto Carone