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29.3.10

Vídeo: "Tropas brasileiras no Haiti..."

Eficaz resumo do que significa para os haitianos a presença das "tropas pacificadoras" da Minustah....




(>>>)

27.3.10

"O Pai, O Filho e o Escarro Santo..."

"Não nascido, cagado na existência,
um aborto tumoral na forma de bebê...

Excreção doentia... Eu não sou um Animal.
Um animal em pele de Feltro
O Reino da pele é meu deleite,
Um país de pestilência.
Jardim de doença, suando veneno,
lágrimas de pus.

Eu só quero tocar você, segure-me em seus braços
e diga que tudo está bem, mamãe.
Mas eu me ergo de um fosso de pestes -
Espectro da imundície,

O Pai, O Filho e o escarro Santo!"
[ Asilo Arkham, "CARA de BARRO" por Grant Morrison ]




(...)

22.3.10

Página da Reforma Agrária, no ar...



Veio ao ar desde a quinta-feira, dia18 de março de 2010, o blog da rede de comunicadores em apoio à reforma agrária e contra a criminalização dos movimentos sociais. A decisão da criação da página e seu intuito foram estabelecidas uma semana antes, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, contando com cerca de 100 pessoas, entre jornalistas, radialistas, blogueiros, estudantes e radiodifusores comunitários.


Além de apresentar o que imprensa oficial não tem permissão para o fazer , como experiências bem sucedidas de assentamentos rurais, reforma agrária e agriultura familiar, aequipe se propõe a acompanhar a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) imposta no fim de 2009 pela truculenta e ardilosa bancada ruralista que cavalga nas costas dos setores de mídia e imprensa.
( essa mesma impensa que vive brigando por uma suposta liberdade de expressão... ou liberdade de veicular o equivalente pelo que lhe pagam...)

Sessões fixas, como o raio-x do latifúndio, impactos do agronegócio, quem apóia a reforma agrária, entre outras...

Segue trecho de texto extraído da página...


"A imagem de um trator a derrubar laranjais no interior paulista, numa fazenda grilada, roubada da União, correu o país no fim do ano passado, numa campanha claramente orquestrada. Agricultores/as miseráveis foram presos, humilhados. Seriam os/as responsáveis pelo “grave atentado”. A polícia trabalhou rápido, produzindo um espetáculo que foi parar nas telas da TV e nas páginas dos jornais. O recado parece ser: quem defende reforma agrária é “bandido/a”, é “marginal”. Exemplo claro de “criminalização” dos movimentos sociais.

Quem comanda essa campanha tem dois objetivos: impedir que o governo federal estabeleça novos parâmetros para a reforma agrária (depois de três décadas, o governo planeja rever os “índices de produtividade” que ajudam a determinar quando uma fazenda pode ser desapropriada); e “provar” que os que derrubaram pés de laranja são responsáveis pela “violência no campo”.

Trata-se de grave distorção.

Comparando, seria como se, na África do Sul do Apartheid, um manifestante negro atirasse uma pedra contra a vitrine de uma loja onde só brancos podiam entrar. A mídia sul-africana iniciaria então uma campanha para provar que a fonte de toda a violência não era o regime racista, mas o pobre manifestante que atirou a pedra.

No Brasil, é nesse pé que estamos: a violência no campo não é resultado de injustiças históricas que fortaleceram o latifúndio, mas é causada por quem luta para reduzir essas injustiças. Não faz o menor sentido?

A violência no campo tem um nome: latifúndio. Mas isso você dificilmente vai ver na TV. A violência e a impunidade no campo podem ser traduzidas em números: mais de 1500 agricultores foram assassinados nos últimos 25 anos. Detalhe: levantamento da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostra que dois terços dos homicídios no campo nem chegam a ser investigados. Mandantes (normalmente grandes fazendeiros) e seus pistoleiros permanecem impunes.

Uma coisa é certa: a reforma agrária interessa ao Brasil. Interessa a todo o povo brasileiro, aos movimentos sociais do campo, aos/as trabalhadores rurais e ao MST. A reforma agrária interessa também aos/as que se envergonham com os acampamentos de lona na beira das estradas brasileiras: ali, vive gente expulsa da terra, sem um canto para plantar – nesse país imenso e rico, mas ainda dominado pelo latifúndio.

A reforma agrária interessa, ainda, a quem percebe que a violência urbana se explica – em parte – pelo deslocamento desorganizado de populações que são expulsas da terra e obrigadas a viver em condições medievais, nas periferias das grandes cidades.

Por isso, repetimos: independente de concordarmos ou não com determinadas ações daqueles que vivem anos e anos embaixo da lona preta na beira de estradas, estamos em um momento decisivo e precisamos defender a reforma agrária.

Se você é um democrata, talvez já tenha percebido que os ataques coordenados contra o MST fazem parte de uma ofensiva maior contra qualquer entidade ou cidadão que lutem por democracia e por um Brasil mais justo."



(...)

15.3.10

Senador Roy Ashburn mostra para que veio...


Avanços nas relações de respeito, justiça, igualdade e dignidade para os homossexuais há mais de uma década têm na figura de Roy Ashburn uma inimizade ímpar...

(ou tinham...)


Após anos de “militância”, na terça feira da segunda semana de março, por ser flagrado deixando uma boate gay, bêbado e “bem acompanhado”, o ortodoxo senador cristão, pai de quatro filhos e aos 55 anos assume a que veio, numa entrevista à rádio local de Bakersfield, KERN-AM...


Em sua ressaca moral, comentou a pérola, de que suas posturas não representam suas crenças de fato, mas sim “da fatia a que representa...”


Diante de tal fato, o conjunto musical representado nesta página de blogspot tem uma importante exclamação a fazer:

- “Tolinho...”.


(Fecha aspas)


Link para Matéria no “Mídia Independente”...





E é impressionante a postura dos conservadores, mesmo aqui, na lata de lixo dos EUA, sobre o fato.


Nesse link para o “Fórum Go$pel”, há quem chegue a nivelar a opção sexual desse “golfinho” com a índole do ex-presidente da Galáxia, George W. Bush...


E (para eles, claro), a letra de “Brothers and Sisters” (do grandioso No Violence!)...


“Não suporto mais o seu ódio, é isso...

Me cansei desse preconceito

Levantaremos nossa voz contra vocês –

IRMÃOS E IRMÃS, VOCÊS NÃO ESTÃO SÓS NESTA BATALHA!

Estamos em pé contra a homofobia!

Vocês não têm o direito de segregar!

Dizem que detêm a verdade, mas quem a deu a vocês?

Eu não permitirei que essas mentiras se perpetrem!

O que é o “certo”? O que é o “errado”? Quem são vocês pra dizer isso?

Cegos demais pra fazer qualquer julgamento!

Eles fizeram uma escolha que eu respeito

E eu vou protegê-la, e a vejo tão natural quanto a que nós fizemos

Todo esse ódio...

Por que você não entender o amor entre pessoas do mesmo sexo?

Mas você não quer diálogo,

então chama isso de pecado, chama de crime...

E eu te chamo de Hipócrita! Você é meu inimigo!

Recuso tuas mentiras, chega de lágrimas rolando...”



(...)

11.3.10

Massacre de cristãos na Nigéria: Casualidades religiosas...

por Augusto Miranda

A divergência de crenças não é razão suficiente pra que se odeie, queira mau e aja com violência contra outra pessoa ou grupo.
Pelo menos, deveria ser assim.
Incrível – termo mais amplamente aplicável a qualquer coisa que gire em torno de religião... – como sobretudo as religiões monoteístas têm dificuldade em aceitar a diferença de opinião e estilo de vida,e a facilidade que têm de engolir, regurgitar e comer novamente tudo o que sempre foi imposto nas páginas do alcorão e bíblia, como “amor ao próximo” (piada), “justiça”, “outra face” (mais pedida do que oferecida, porém vendida a preços módicos pelos neo-pentecostais de plantão).
Um bom exemplo disso aconteceu neste fim de semana último, dia 07 de março, quando centenas de pessoas, a maioria cristãos, homens e mulheres de quaisquer idades e até mesmo crianças foram retiradas de suas casa sob o susto de rajadas de tiros e depois, do lado de fora, massacradas a golpe de facão por pastores muçulmanos, em Jos, Nigéria.
Falou-se em mais de quinhentas pessoas. Falou-se em duzentas pessoas. Depois falou-se em duzentas pessoas sendo enterradas em vala comum. Reduziu-se então o número a 109...

A cor da pele tem desse poder, de te transformar em um número oscilante ou numa pessoa com identidade e direitos à medida que clareia em sua tonalidade... Deus não parece enxergar sob a pele, ou não consegue ensinar seus seguidores a o fazer. Parecem ter um problema excludente com relação à melanina e opiniões...
Quase NOVE ‘M – I – L’ pessoas deixaram suas casas ou para se refugiarem em regiões afastadas ou em delegacias por conta do pavor...
Ondas de protestos tomaram conta das ruas por volta da quinta feira. De cruzes, bíblias e ramos de arvore (tradição local em manifestações) reclamavam da que chamam de “Liderança Invisível” – referência ao inerte vice-presidente, Goodluck Jonathan, que ocupava o posto do presidente Umaru Yar'Adua, afastado por problemas de saúde...
Essa “rusga” não é recente, é nada nova.
Ainda em janeiro agora, cerca de 300 pessoas foram dizimadas, em sua imensa maioria muçulmanos, em conflitos entre as etnias muçulmanas do norte e cristãs do sul, que aliás, quase que dividem a Nigéria territorialmente.
Os números de mortos nesses conflitos que só fazem sentido para os religiosos locais tem sido nada humildes ao longo dessa última década. Cerca de MIL mortos em setembro de 2001... Outras setecentas vitimas em 2004, e em 2008, trezentas...
Na prisão de 49 suspeitos e indiciados por homicídio doloso e conspiração, pelo terror recente, a justificativa para estes últimos ataques foi a de se tratar de uma “missão de vingança...”.
Alá provavelmente os recompensará, assim como Jesus galardoará aos do outro lado...


(...)

Do estado...

por Paulo Claudino.

Estado relapso insano -
Mortes anunciadas pelo bom dia Brasil .
Fontes de água esgotando a energia
É o fim de tudo que surgiu...

Onde há esperança pra acreditar ?
Que futuro, que utopia necessária ?
Quem é você para você ?
De quem é a última palavra ?

Estado colapso nacional -
Bandeiras disformes da estupidez!
Minorias dos guetos, todos pretos,
Agora de quem é a vez ?

O estado sou eu
A maquina de fazer sonhos ...
O estranho passageiro da velocidade
Velocipede marchando !




Luta armada de idéias
Todo este tempo filosando .
Uma hora chega e se entrega
A liberdade que tanto almejamos !

Segundo a paixão anarquista
Segundo a guerra dos anjos .
O mundo real é fascista -
Mas a paz é um plano...

Estado contra todos...
Estado contra ninguém...
Enquanto isso lutamos
Para um dia ser alguém...


(...)

5.3.10

Grafitagem, Gambah...


Demonstrações de carinho como essa,
continuam a nos deixar sem reação...

Ainda ficamos sem saber muito o que dizer,
mas deixamos um agradecimento público e carinhoso ao nosso amigo "Gambah",

pela menção honrosa
na aba esperta do grafitado...




















(...)

Resistência Palestina.... (grafite)

da galeria flickr de zancudo911...



(...)


"Eu sei, mas não devia..." Marina Colasanti

por Marina Colasanti
Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e não ver vista que não sejam as janelas ao redor. E porque não tem vista logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, se esquece do sol, se esquece do ar, esquece da amplidão.
A gente se acostuma a acordar sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder tempo. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.
A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E não aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números, da longa duração.
A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “hoje não posso ir”. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que se deseja e necessita. E a lutar para ganhar com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir as revistas e ler artigos. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição, às salas fechadas de ar condicionado e ao cheiro de cigarros. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam à luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À morte lenta dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta por perto.
A gente se acostuma a coisas demais para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta lá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua o resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem muito sono atrasado.
A gente se acostuma a não falar na aspereza para preservar a pele. Se acostuma para evitar sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.



[ Agradecimentos ao Naconeski, pela indicação.. . ]




(...)

2.3.10

A Marcha de Ataque ao Coração...

Cerca de 400 pessoas protestaram "vigorosamente" pelas ruas de Vancouver, no dia 13 de Fevereiro, 2010.


Uma ação dum Bloco Negro para "obstruir as artérias do capitalismo..."


Os principais alvos foram as empresas patrocinadoras dos jogos olímpicos, em especial as localizadas na Hudson's Bay Company, importante centro comercial local...



Alguns donos de carros luxuosos também tiveram um "surpresa"...

Treze pessoas presas e muitas mais detidas momentaneamente.




15.2.10

"As Prisões..." [por Mauricio Tragtenberg]

Numa conferência realizada em Paris em 1887, Kropotkin aborda um dos temas centrais da sociedade atual que, depois das questões econômica e política, é a mais importante: a questão judicial
A pergunta a que ele pretende responder é: o que se deve fazer com aqueles que cometem atos anti-sociais? Condenação à morte, trabalhos forçados, prisão perpétua? A máquina judicial povoa as prisões.

No entanto – e aqui os dados de Kropotkin são do século passado [XIX], cuja semelhança com os atuais [XX] é chocante – a única certeza que a administração carcerária tem é a da reincidência no crime, pois o aumento ou a diminuição da pena não contribuem para que os índices de criminalidade decresçam.


É a partir dessa constatação que Kropotkin argumenta que nada pode ser reformado no sistema penitenciario: a prisão, ao tirar a liberdade do homem e matar a sociabilidade que o capacita a viver em sociedade, só faz fabricar o criminoso reincidente.


A pretexto de “reeducar” o criminoso, o regime carcerário de fato degrada, de várias formas, o prisioneiro. Também não se trata de vigiar os guardas ou escolher para diretores dos presídios pessoas realmentes “sérias”, pois o universo da prisão também é uma espécie de sentença para esses indivíduos.


Como as prisões demonstraram serem incapazes de resolver o problema dos crimes, para Kropotkin cabe sim buscar suas causas, e elas são de responsabilidade social: a miséria, odesemprego, a desorganização familiar. O capitalismo, que cultiva o desprezo ao trabalho manual e cultua o deus-capital, cria personalidades anti-sociais, pessoas que querem viver às custas de outras que as mantenham. Os criminosos “bem-sucedidos” são glorificados. Os que “fracassam” na “carreira” é que serão trancafiados nas prisões.
Não é à toa que a maioria dos crimes, nesta sociedade fundada na propriedade dos bens por poucos e na expropriação de muitos, são contra a propriedade.



A minoria deles, que atigem a pessoa humana enquanto indivíduo, com o desenvolvimento de relações sociais fundadas na cooperação, apoio mútuo e respeito ao próximo tenderão fatalmente a decair e até mesmo a desaparecer.



As instituições presidiárias representam apenas uma solução de compromisso entre a nossão bíblica de vingança, do Velho Testamento, a noção medieval de existência de uma vontade diabólica geradora do crime e a noção moderna de evitar o crime pelo castigo. Esse termo aparece transfigurado como “reeducação” ou “reintegração”, alteração filológica e não filosófica.



A pena de morte, por sua vez, é apontada por alguns como solução para a reincidência criminosa de pessoas que cometeram homicídio ou atentaram contra a propriedade privada. No entanto, quando a pena de morte, na sociedade capitalista atingiu um banqueiro, um industrial ou um financista?



Assim como o hospital psiquiátrico é um depósito de pobres, o presídio também o é. Sua função, muito longe de ser a de “reintegrar”, é a de estigmatizar. Para que tanto trabalho e custos para apenas garantir a boa consciência das várias frações da classe dominante? Do mesmo modo que a prostituição é a condição do casamento monogâmico, a existência do estigma criminal é a condição da boa consciência da burguesia e da pequena burguesia das grandes cidades.


Para Kropotkin, nem as prisões nem a pena de morte – um assassinato legal – diminuíram o número de crimes. Para ele, só o apoio humano fraterno àqueles que, por motivos os mais variados, venham a passar por um processo de desestruturação situacional, só a liberdade para que o indivíduo possa demonstrar suas potencialidades, criatividade e humanidade são remédios contra o crime.



Num mundo como o capitalista, governado pela mercadoria, onde não só o trabalho é uma delas, mas a própria personalidade humana se converte numa mercadoria, esses remédios são esmagados.
Caso haja no contingente de presidiários aqueles que possuem problemas psíquicos, nada mais certo que receberem atenção adequada dos especialistas e atenção solidária da comunidade.


Uma sociedade livre não necessita de depósitos de seres humanos segregados. A segregação é o grande crime contra a pessoa, a fonte de todas as perversões, delinqüências e deformações psíquicas.
Não é por acaso que os hospitais psiquiátricos tradicionais, que os colégios internos, conventos e prisões fechadas são incompatíveis com uma sociedade igualitária e libertária.



Infelizmente, constituem o cartão de visita de sociedades fundadas na exploração e na opressão do homem pelo homem.


In:
Texto copilado da "apresentação" ao livro KROPOTKIN (textos escolhidos); Biblioteca Anarquista; Seleção de Maurício Tragtenberg; L&PM Editores; 1987.

Nosso papel no transe haitiano...

por Peter Hallward, The Guardian - 15 de janeiro de 2010
Se verdadeiramente queremos ajudar a este país devastado, devemos cessar com as intenções de controlá-lo e explorá-lo.

Qualquer grande cidade do mundo haveria sofrido danos consideráveis por um terremoto como o que assolou a capital haitiana na tarde de terça, porém não é nenhum acidente que boa parte da cidade de Porto Príncipe pareça agora uma zona de guerra. Grande parte da devastação causada pelas mais recentes e desastrosas calamidades, que golpearam o Haiti se compreende como resultado de uma grande e infame seqüência de acontecimentos históricos causados pelo homem.

O país já enfrentou mais catástrofes do que, para ser justo, lhe corresponderiam. Centenas de pessoas morreram em Porto Príncipe por um terremoto em junho de 1770, e o gigantesco terremoto de 7 de maio de 1842 matou 10.000 pessoas, somente na cidade ao norte de Cabo Haitiano. Os furações golpeiam a ilha com regularidade, os mais recentes, em 2004 e 2008; as tormentas do ano de 2008 inundaram a cidade de Gonaives e destruíram a maior parte de sua frágil infraestrutura, matando mais de mil pessoas e destruindo milhares de habitações. A extensão deste atual desastre pode se manter desconhecida por várias semanas, inclusive reparações mínimas podem tardar anos para se efetivarem e o impacto a longo prazo é incalculável.

Sem dúvida, o que já está bastante claro é que este impacto será resultado de um processo histórico ainda maior de debilidade e empobrecimento deliberado. Haiti é descrito, rotineiramente, como “o país mais pobre do hemisfério ocidental". Esta pobreza é o legado direto de que talvez haja sido o sistema de exploração colonial mais brutal da história, agravado por décadas de sistemática opressão pós-colonial.

A nobre “comunidade internacional" que, nestes momentos, se prepara, com grande estrondo, para enviar sua "ajuda humanitária" ao Haiti é, em grande parte, responsável pela extensão do sofrimento que agora quer aliviar. Desde a invasão e ocupação norte americana de 1925, cada tentativa política, de permitir que o povo haitiano pudesse passar (na frase do anterior presidente Aristide) “da miséria absoluta à pobreza digna", tem sido bloqueada, deliberada e violentamente, pelo governo dos Estados Unidos e alguns de seus aliados.

O próprio governo de Aristide (eleito aproximadamente por 75% do eleitorado) foi a última vítima desta ingerência a ser derrotada em 2004 por um golpe patrocinado internacionalmente no ano de 2004, que matou milhares de pessoas e deixou uma grande parte do pais carregada de ressentimentos. A ONU se manteve no país, deste então, com uma enorme e muito onerosa força militar de pacificação.

Haiti é, hoje, um país onde, segundo o melhor estudo disponível, certa de 75% da população ' vivem com menos de 2 dólares ao dia e 56% - quatro milhões e meio de pessoas - vivem com menos de um dólar diário". Décadas de “ajustes" neoliberais e intervenções neoimperiais têm despojado o país de qualquer porção significativa de capacidade para intervir em seu podo ou regular sua economia. Condições punitivas de comercio e financiamento internacional garantem a permanência, em um futuro previsível, desta indigência e impotência como fatos estruturais da vida haitiana.

É exatamente esta pobreza e impotência que explicam a extensão do atual horror em Porto Príncipe. Desde os últimos anos da década de 70, um implacável assalto neoliberal à economia agrária do Haiti tem obrigado milhares de pequenos agricultores a morar em habitações informais e deficientes, cravadas em barrancos desflorestados. A seleção de pessoas que vivem em tais lugares não é , em si mesma, mais ' natural' ou acidental do que a extensão das feridas que tenham sofrido.

Como indica Brian Concannon, diretor do Instituto pela Justiça e Democracia do Haiti, “esta gente chegou a estes lugares, porque eles, ou seus pais, foram expulsos, intencionalmente, das áreas rurais por políticas de ajuda e de comercio desenhadas, especificamente, com a intenção de criar, nas cidades, uma força de trabalho cativa, e, portanto, fácil de explorar; por definição se trata de gente que não conta com meios para construir casas resistentes aos terremotos”. Entretanto, a infraestrutura básica da cidade - água corrente, eletricidade, ônibus, etc - permanece deploravelmente inadequada, minimamente inexistente. A capacidade do governo para mobilizar qualquer tipo de ajuda contra catástrofes é praticamente nula.

A comunidade internacional tem governado efetivamente Haiti, desde o golpe de 2004. Os mesmos países, que agora alardeiam com o envio de ajuda de emergência ao Haiti, votaram, sem dúvida, consistentemente, durante os últimos cinco anos, contra qualquer extensão do mandato da missão da ONU, para além de seus objetivos estritamente militares. Propostas para desviar parte destas “inversões" para programas de redução da pobreza ou o desenvolvimento agrário foram bloqueadas, de acordo com as pautas de longo prazo que seguem caracterizando ' ajuda ' internacional.

As mesmas tormentas que mataram tanta gente no Haiti, em 2008, golpearam Cuba com a mesma força, porém deixando apenas 4 mortos. Cuba tem se referido aos piores efeitos das “reformas” neoliberais e seu governo conserva a capacidade de defender seu povo contra os desastres naturais. Se quisermos, seriamente, ajudar o Haiti a sair de sua última crise, deveríamos considerar estes resultados. Juntamente com o envio de ajuda de emergência, deveríamos nos perguntar sobre o que podemos fazer para favorecer o fortalecimento e autodeterminação do povo de Haiti e suas instituições públicas. Se queremos seriamente ajudar, temos que deixar de tentar controlar o governo haitiano, pacificar seus cidadãos e explorar sua economia. E logo, tenderemos que começar a pagar, ao menos uma parte, a destruição que temos causado.
. . .

28.1.10

Aos 70 anos de idade, nas chuvas de Janeiro de 2010...

À memória da senhora Dalva Teixeira Lima, deixamos nossas palavras, que não sei se homenageiam ou não, mas trazem à memória este instinto de sobrevivência e proteção que foi mostrado em seus últimos momentos, bem próximo de nós desta banda, aqui em Itapecerica da Serra, municipio da "grande" São Paulo...
(...)

Não há como saber quais eram os planos do futuro e do "acaso" para os dias da senhora Dalva, mas o caminho para os planos a respeito de seus netos, continua desobstruído ...
Por volta de 20h30 de 19 de janeiro, 2010, deixando esclarecido qual era sua prioridade, senhora Dalva cuidou que um deslizamento não acometesse seus três netos.. O mais velho, 13 anos de idade, cuidou de salvar aos outros dois, de 7 e 2 anos de idade...
(...)

À herança da Senhora Dalva, parabéns...
E, por favor, permaneçam...
Assim como foi com vocês, em muitos e muitos pontos neste extenso território, abandono, vulnerabilidade, susto e dor vão escrevendo cenas seguidas de cenas, numa tragédia sem um fim aparente e cujo ápice do pavor é mais sentido pelos nossos, os menos favorecidos...
(...)
Somente entre o início de dezembro de 2009 e fim de janeiro janeiro de 2010 foram quase SETENTA mortes pelas chuvas, o que é mais do que em todo este mesmo período de 2008 para 2009...

Estranho que convivamos natural e passivamente com uma estimativa desse porte, de algo que poderia ser evitado em sua grande maioria...


"...E vieram as chuvas de Janeiro, e te levaram de mim..."



...